A Estônia atribuiu oficialmente nesta terça-feira (29) à Rússia o incêndio criminoso que atingiu em agosto as instalações da Milrem Robotics, empresa estoniana que fabrica veículos terrestres não tripulados e é uma das fornecedoras desse tipo de equipamento para a Ucrânia.
O chanceler estoniano, Margus Tsahkna, afirmou que o ataque foi "uma sabotagem encomendada pelos serviços especiais da Federação Russa" e parte de "uma campanha russa mais ampla em toda a Europa". Segundo ele, os autores do incêndio já foram detidos e "não representam mais uma ameaça". O governo não divulgou nomes nem o número de presos.
O que a Milrem fabrica
A Milrem Robotics é conhecida pelo THeMIS, um veículo terrestre não tripulado sobre esteiras usado para transportar feridos, levar suprimentos até posições avançadas e, em algumas configurações, carregar armamento. Unidades do modelo foram enviadas à Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022 — o que coloca a fábrica na lista de alvos de interesse militar para Moscou.
Moscou nega
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou a acusação estoniana como "infundada" e "irrefletida", e disse que ela não tem "nenhuma relação com a realidade".
A resposta da Otan
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, reagiu com uma avaliação que mistura denúncia e relativização do efeito prático dos ataques:
"A Rússia mantém sua campanha imprudente de ações hostis contra aliados da Otan. Mas a Rússia está fracassando."
O primeiro-ministro estoniano, Kristen Michal, foi mais direto, ao descrever Vladimir Putin como um "rato encurralado" que amplia as operações na Europa enquanto enfrenta dificuldades militares na Ucrânia. O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, disse que "esse padrão de ataques é dirigido contra a Europa como um todo" e que "não vai funcionar". França, Lituânia e Letônia também condenaram o episódio.
Um padrão, não um caso isolado
Desde 2022, governos europeus registram uma sequência de incêndios, sabotagens em infraestrutura, incursões de drones e ataques a cabos submarinos atribuídos à Rússia — o conjunto de ações que a Otan classifica como guerra híbrida, por ficar deliberadamente abaixo do patamar que acionaria o artigo 5º do tratado.
Estônia, Letônia e Lituânia, que fazem fronteira com a Rússia ou com o enclave de Kaliningrado, estão entre os países que mais relatam esse tipo de incidente. O primeiro-ministro da Lituânia disse nesta terça que os serviços de inteligência não identificam ameaça militar iminente, embora o risco permaneça constante.
Com informações do Ministério das Relações Exteriores da Estônia, Otan, Al Jazeera, Euronews e Defense News.




