Explosões foram ouvidas durante a noite em Adis Abeba, segundo três fontes diplomáticas consultadas pela Reuters. Uma fonte da aliança que luta contra o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed afirmou que o grupo realizou "vários ataques com drones" na capital, incluindo contra o quartel-general das Forças de Defesa. A agência não conseguiu confirmar a reivindicação de forma independente, e testemunhas disseram não ter visto danos nas imediações da instalação militar.
Se for confirmado, será o primeiro ataque com drones de forças antigoverno contra a capital etíope, que fica a centenas de quilômetros das linhas de frente no norte do país.
A proibição de drones veio horas antes
O serviço nacional de inteligência havia anunciado na quarta-feira a proibição do uso de drones sobre Adis Abeba e arredores, "por razões de segurança". As explosões foram relatadas poucas horas depois.
O gabinete de Abiy Ahmed, o governo federal e as Forças Nacionais de Defesa da Etiópia não comentaram de imediato o episódio. Nenhuma vítima foi registrada.
A guerra voltou ao norte
Os combates no norte opõem as forças federais à Aliança das Forças dos Povos Etíopes pela Sobrevivência, que reúne sete grupos armados — entre eles a Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) e organizações das regiões de Amhara, Afar, Somali e Benishangul-Gumuz — e declara como objetivo derrubar o governo.
As tropas do governo avançaram até cerca de 40 quilômetros de Mekele, capital de Tigré. A TPLF recuou seus combatentes para novas posições e suas lideranças deixaram a cidade; milhares de civis fugiram com medo dos confrontos, e a região está sem eletricidade e sem internet. Na região de Afar, o governo afirma ter retomado as cidades de Erebti e Abaala.
A guerra já deslocou dezenas de milhares de pessoas e desfez, na prática, o acordo de paz assinado em Pretória em novembro de 2022, que havia encerrado o conflito anterior em Tigré.
Ruptura diplomática com a Eritreia
Também nesta quinta-feira, o Serviço de Comunicação do Governo da Etiópia anunciou o fechamento da embaixada etíope em Asmara e a expulsão de 10 diplomatas eritreus, que têm 48 horas para deixar o território. Adis Abeba acusa a Eritreia de "atos de hostilidade diretos e indiretos"; Asmara nega qualquer envolvimento no conflito.
O comunicado oficial do governo etíope registra as duas decisões sem apresentar justificativa detalhada. A distância entre Adis Abeba e o front é o que dá peso ao episódio desta quinta: até aqui, a guerra no norte não havia alcançado a capital, onde ficam a sede do governo e a da União Africana.
Com informações de Al Jazeera, Reuters e do Serviço de Comunicação do Governo da Etiópia.




