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Explosões em Adis Abeba, e aliança rebelde diz ter atacado o quartel-general militar da Etiópia com drones

No mesmo dia, o governo fechou a embaixada etíope em Asmara e deu 48 horas para 10 diplomatas eritreus deixarem o país; forças federais estão a cerca de 40 km de Mekele

Por Redação RecortNews
A Praça Meskel e o horizonte de Adis Abeba, capital da Etiópia, em 2021.
A Praça Meskel e o horizonte de Adis Abeba, capital da Etiópia, em 2021.Foto: ምቅ37382/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Explosões foram ouvidas durante a noite em Adis Abeba, segundo três fontes diplomáticas consultadas pela Reuters. Uma fonte da aliança que luta contra o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed afirmou que o grupo realizou "vários ataques com drones" na capital, incluindo contra o quartel-general das Forças de Defesa. A agência não conseguiu confirmar a reivindicação de forma independente, e testemunhas disseram não ter visto danos nas imediações da instalação militar.

Se for confirmado, será o primeiro ataque com drones de forças antigoverno contra a capital etíope, que fica a centenas de quilômetros das linhas de frente no norte do país.

A proibição de drones veio horas antes

O serviço nacional de inteligência havia anunciado na quarta-feira a proibição do uso de drones sobre Adis Abeba e arredores, "por razões de segurança". As explosões foram relatadas poucas horas depois.

O gabinete de Abiy Ahmed, o governo federal e as Forças Nacionais de Defesa da Etiópia não comentaram de imediato o episódio. Nenhuma vítima foi registrada.

A guerra voltou ao norte

Os combates no norte opõem as forças federais à Aliança das Forças dos Povos Etíopes pela Sobrevivência, que reúne sete grupos armados — entre eles a Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) e organizações das regiões de Amhara, Afar, Somali e Benishangul-Gumuz — e declara como objetivo derrubar o governo.

As tropas do governo avançaram até cerca de 40 quilômetros de Mekele, capital de Tigré. A TPLF recuou seus combatentes para novas posições e suas lideranças deixaram a cidade; milhares de civis fugiram com medo dos confrontos, e a região está sem eletricidade e sem internet. Na região de Afar, o governo afirma ter retomado as cidades de Erebti e Abaala.

A guerra já deslocou dezenas de milhares de pessoas e desfez, na prática, o acordo de paz assinado em Pretória em novembro de 2022, que havia encerrado o conflito anterior em Tigré.

Ruptura diplomática com a Eritreia

Também nesta quinta-feira, o Serviço de Comunicação do Governo da Etiópia anunciou o fechamento da embaixada etíope em Asmara e a expulsão de 10 diplomatas eritreus, que têm 48 horas para deixar o território. Adis Abeba acusa a Eritreia de "atos de hostilidade diretos e indiretos"; Asmara nega qualquer envolvimento no conflito.

O comunicado oficial do governo etíope registra as duas decisões sem apresentar justificativa detalhada. A distância entre Adis Abeba e o front é o que dá peso ao episódio desta quinta: até aqui, a guerra no norte não havia alcançado a capital, onde ficam a sede do governo e a da União Africana.

Com informações de Al Jazeera, Reuters e do Serviço de Comunicação do Governo da Etiópia.