As oito centrais sindicais representativas do serviço público francês pararam o funcionalismo em 29 de setembro, em cerca de 170 manifestações pelo país, contra a decisão do governo de manter os salários congelados no Orçamento de 2027. No mesmo dia, uma onda de bloqueios em liceus terminou com 440 pessoas detidas, a maioria delas menores de idade.
A adesão ficou abaixo da de paralisações recentes. Segundo a Direção-Geral da Administração e da Função Pública (DGAFP), pararam 9,64% dos servidores do Estado, 5,68% dos municipais e 4,5% dos hospitalares. Na educação, a adesão foi de 11,47% no conjunto, 13,71% entre professores e 27,39% entre os profissionais de apoio escolar — a maior taxa do dia.
Para efeito de comparação, a greve de 5 de dezembro de 2024 mobilizou 18,8% de todo o serviço público francês.
O ponto de índice, congelado pela quarta vez
O centro da disputa é o "ponto de índice", o valor de referência que multiplica todos os salários do funcionalismo francês. O gabinete do ministro da Função Pública, David Amiel, confirmou que não haverá "nenhuma medida geral sobre o ponto de índice em 2027", apenas ações dirigidas às faixas mais baixas.
Seria o quarto congelamento anual consecutivo — e o oitavo desde o início dos mandatos de Emmanuel Macron. A economia prevista é de 2 bilhões de euros. Os sindicatos pedem reajuste de 6% e sustentam que o funcionalismo perdeu mais de 6% de poder de compra desde a última alta do ponto, em julho de 2023, e mais de 15% na última década.
O cálculo mostra por que a adesão modesta não encerra o assunto: a perda de poder de compra é cumulativa, e cada ano de congelamento a consolida na base de cálculo dos anos seguintes.
"Essa raiva não vai passar. O governo precisa olhar de novo para o Orçamento", disse Sophie Binet, secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), ao dar às autoridades 48 horas para recuar antes de decidir os próximos passos. Uma mesa de negociação sobre carreira e início de carreira estava marcada para 2 de outubro.
O Orçamento de 2027 é o primeiro grande teste do governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu junto às centrais sindicais, segundo a Al Jazeera.
Liceus bloqueados, 48 policiais feridos
O protesto dos secundaristas, que começou na semana anterior na região da Île-de-France e se espalhou pelo país, chegou no dia 29 a cerca de 400 liceus, de um total de aproximadamente 3.700. Em torno de 40 deles o bloqueio foi efetivo e em outros 44 houve tentativa, segundo a Al Jazeera.
Os estudantes cobram grade horária viável, turmas menos cheias, reposição de professores e prédios que não viram estufa nas ondas de calor.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou o número de detenções — dois terços delas convertidas em custódia policial — e condenou os episódios de violência: "A violência nunca é legítima. Não há nada que justifique a violência", disse, citando lixeiras incendiadas e objetos arremessados contra policiais. Foram registrados 48 policiais feridos, sete casos de ácido clorídrico lançado contra agentes e dez estudantes e funcionários feridos.
O ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, classificou as agressões como "inqualificáveis". A polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para desbloquear escolas.
Com informações de Acteurs Publics, Al Jazeera e Agence France-Presse.




