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Política

Herzog passa por cima de Netanyahu e dá a Gadi Eisenkot 28 dias para formar o governo de Israel

O ex-chefe do Estado-Maior reuniu 67 recomendações de deputados, contra 46 do primeiro-ministro, e recebe o mandato neste domingo na residência presidencial, em Jerusalém

Por Redação RecortNews
Gadi Eisenkot em novembro de 2022, no início de seu primeiro mandato como deputado na Knesset, em Jerusalém.
Gadi Eisenkot em novembro de 2022, no início de seu primeiro mandato como deputado na Knesset, em Jerusalém.Foto: Ronen Horesh/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O presidente de Israel, Isaac Herzog, decidiu entregar a Gadi Eisenkot — e não a Benjamin Netanyahu — a tarefa de formar o próximo governo do país. Herzog comunicou a escolha a Eisenkot na noite de sábado, 7 de novembro, e a cerimônia formal de entrega do mandato está marcada para este domingo, 8, na residência presidencial, em Jerusalém.

A decisão retira de Netanyahu, pela primeira vez em mais de uma década, a primazia na montagem de um governo israelense. Ele segue como primeiro-ministro interino enquanto a negociação corre.

67 a 46

A escolha do presidente se baseia nas recomendações que os 120 deputados eleitos entregam depois do pleito. Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército e hoje líder do partido Yashar, reuniu 67 recomendações. Netanyahu ficou com 46.

Entre os 67 estão os deputados dos partidos de maioria árabe, que não integram a aliança de Eisenkot e cuja indicação não vem acompanhada de compromisso de entrar no governo.

A conta dos 61

Eisenkot tem 28 dias para apresentar uma coalizão, prazo que o presidente pode estender por mais 14. A maioria exigida é de 61 dos 120 assentos da Knesset — e é aí que a aritmética aperta.

Na eleição de 27 de outubro, a aliança de quatro partidos encabeçada por Eisenkot elegeu 48 deputados. O bloco de direita e dos partidos religiosos ligado a Netanyahu ficou com 53. Os partidos de maioria árabe tiveram o melhor resultado de sua história, com 19 assentos. Nenhum dos dois lados alcançou 61 sozinho.

Eisenkot descartou governar em coalizão com os partidos árabes. Sobram-lhe, então, dois caminhos: atrair os dois partidos ultraortodoxos — o Judaísmo Unido da Torá e o Shas, que somados lhe dariam exatamente 61 — ou formar um governo minoritário, aprovado em voto de confiança e sustentado de fora. O Shas negou, no sábado, as informações de que entraria numa coalizão de Eisenkot.

Ahmad Tibi, da Lista Conjunta, que elegeu 11 deputados, chamou a decisão de Herzog de "esperada" e disse esperar justamente um governo minoritário com apoio externo dos partidos árabes — para ele, não um "governo dos sonhos", mas a via para tirar do poder a coalizão de Netanyahu.

O que Netanyahu disse

Netanyahu reagiu em vídeo gravado, no qual afirmou que um governo de oposição apoiado pelos partidos de maioria árabe iria "desmontar o Estado de Israel por dentro".

Se Eisenkot não conseguir

O roteiro previsto na lei israelense é longo. Se o prazo de Eisenkot terminar sem governo, Herzog tem três dias para decidir se passa a missão a outro parlamentar, que receberia 28 dias sem direito a prorrogação. Fracassando também esse, um grupo de pelo menos 61 deputados pode indicar um nome, com 14 dias finais para tentar. Se nada der certo, a Knesset é dissolvida e uma nova eleição é convocada em até 90 dias, com Netanyahu permanecendo como primeiro-ministro em exercício até lá.

Com informações de Al Jazeera, The Jerusalem Post, NPR e The Washington Post.