A líder da oposição venezuelana María Corina Machado e o ex-embaixador e candidato presidencial Edmundo González Urrutia apoiaram o plano do Departamento de Estado dos Estados Unidos para declarar vago o cargo de presidente da Venezuela e convocar eleições. O apoio ficou registrado por escrito na Declaração de Madri, divulgada na quinta-feira, 5 de novembro, na XXX Cúpula Ibero-Americana.
"Avalizamos este plano como via razoável para avançar rumo à plena recuperação da ordem constitucional na Venezuela", diz o texto. Machado, prêmio Nobel da Paz, acrescentou que a estabilidade dependerá de acordos internos: "Seguiremos trabalhando com as pessoas para alcançar os grandes acordos nacionais". Os dois sustentam que marcar uma data de votação daria previsibilidade ao processo.
Os três passos do roteiro
A sequência proposta por Washington é ordenada e, por ora, sem prazos firmes além do primeiro:
- Renovar o Tribunal Supremo de Justicia (TSJ, a corte suprema venezuelana) antes do fim de 2026.
- Designar um novo Consejo Nacional Electoral (CNE, o conselho eleitoral do país), que seria o órgão encarregado de certificar qualquer convocação.
- Declarar a "falta absoluta" da presidência e convocar eleições no prazo de seis meses.
Com esse calendário, a votação cairia em 2027; segundo a Declaração de Madri, a eleição presidencial poderia ficar para 24 de julho, aniversário do nascimento de Simón Bolívar. O secretário de Estado, Marco Rubio, condicionou a convocação à conclusão prévia das duas primeiras reformas.
O terceiro passo não cabe à oposição, mas à presidente interina Delcy Rodríguez, que governa sob pressão de Washington. Rodríguez disse que as eleições serão feitas conforme a Constituição e com uma autoridade eleitoral renovada, mas não marcou data.
Aí está o nó do plano: os dois primeiros passos dependem de instituições que o governo controla, e o terceiro, de uma assinatura que só a própria presidente interina pode dar. O aval da oposição acelera a discussão política, mas não move o calendário por si só.
Como se chegou até aqui
Nicolás Maduro, no poder desde 2013, foi capturado em 3 de janeiro de 2026 em uma operação dos Estados Unidos e está preso em Nova York, à espera de julgamento por acusações que incluem narcoterrorismo. Um dia depois, o TSJ determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina.
Machado, que passou dez meses na clandestinidade e no exílio, voltou à Venezuela em outubro para encabeçar a transição e pressionar pelas eleições de 2027.
Com informações de Infobae, Deutsche Welle, Moncloa e da Declaração de Madri da XXX Cúpula Ibero-Americana.




