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Política

Machado e Edmundo González apoiam o plano dos EUA para declarar vago o cargo de presidente da Venezuela

O roteiro do Departamento de Estado prevê renovar o Supremo e o conselho eleitoral até o fim de 2026 e eleições em até seis meses, com 24 de julho como data possível

Por Redação RecortNews
María Corina Machado em entrevista coletiva na Ordem dos Advogados de Valencia, na Venezuela, em outubro de 2023.
María Corina Machado em entrevista coletiva na Ordem dos Advogados de Valencia, na Venezuela, em outubro de 2023.Foto: SantanaZ/Wikimedia Commons, CC0

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado e o ex-embaixador e candidato presidencial Edmundo González Urrutia apoiaram o plano do Departamento de Estado dos Estados Unidos para declarar vago o cargo de presidente da Venezuela e convocar eleições. O apoio ficou registrado por escrito na Declaração de Madri, divulgada na quinta-feira, 5 de novembro, na XXX Cúpula Ibero-Americana.

"Avalizamos este plano como via razoável para avançar rumo à plena recuperação da ordem constitucional na Venezuela", diz o texto. Machado, prêmio Nobel da Paz, acrescentou que a estabilidade dependerá de acordos internos: "Seguiremos trabalhando com as pessoas para alcançar os grandes acordos nacionais". Os dois sustentam que marcar uma data de votação daria previsibilidade ao processo.

Os três passos do roteiro

A sequência proposta por Washington é ordenada e, por ora, sem prazos firmes além do primeiro:

  1. Renovar o Tribunal Supremo de Justicia (TSJ, a corte suprema venezuelana) antes do fim de 2026.
  2. Designar um novo Consejo Nacional Electoral (CNE, o conselho eleitoral do país), que seria o órgão encarregado de certificar qualquer convocação.
  3. Declarar a "falta absoluta" da presidência e convocar eleições no prazo de seis meses.

Com esse calendário, a votação cairia em 2027; segundo a Declaração de Madri, a eleição presidencial poderia ficar para 24 de julho, aniversário do nascimento de Simón Bolívar. O secretário de Estado, Marco Rubio, condicionou a convocação à conclusão prévia das duas primeiras reformas.

O terceiro passo não cabe à oposição, mas à presidente interina Delcy Rodríguez, que governa sob pressão de Washington. Rodríguez disse que as eleições serão feitas conforme a Constituição e com uma autoridade eleitoral renovada, mas não marcou data.

Aí está o nó do plano: os dois primeiros passos dependem de instituições que o governo controla, e o terceiro, de uma assinatura que só a própria presidente interina pode dar. O aval da oposição acelera a discussão política, mas não move o calendário por si só.

Como se chegou até aqui

Nicolás Maduro, no poder desde 2013, foi capturado em 3 de janeiro de 2026 em uma operação dos Estados Unidos e está preso em Nova York, à espera de julgamento por acusações que incluem narcoterrorismo. Um dia depois, o TSJ determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina.

Machado, que passou dez meses na clandestinidade e no exílio, voltou à Venezuela em outubro para encabeçar a transição e pressionar pelas eleições de 2027.

Com informações de Infobae, Deutsche Welle, Moncloa e da Declaração de Madri da XXX Cúpula Ibero-Americana.