A Bulgária deve ter, a partir de janeiro, a primeira mulher eleita presidente de sua história. As contagens paralelas divulgadas pelos institutos de pesquisa depois do fechamento das urnas, neste domingo (1º), apontam a presidente em exercício Iliana Iotova com entre 57,1% e 58,2% dos votos do segundo turno, contra 38,6% a 39,9% de Andrey Gyurov, ex-primeiro-ministro interino.
O resultado oficial cabe à Comissão Eleitoral Central e é esperado para segunda-feira (2), depois da apuração das urnas.
Quatro contagens, a mesma vantagem
As seções fecharam às 20h de Sofia (18h GMT). As contagens paralelas concluídas na madrugada, segundo a agência búlgara Novinite, ficaram agrupadas numa faixa estreita:
- Market Links: Iotova 57,4%, Gyurov 39,6%
- Alpha Research: Iotova 57,4%, Gyurov 39,6%
- Trend: Iotova 58,1%, Gyurov 38,9% — 19,2 pontos de diferença
- Myara: Iotova 58,2%, Gyurov 38,6%, com outros 3,2% marcando a opção "não apoio ninguém"
- Gallup, com 75% apurado: Iotova 56,1%, Gyurov 39,9%
As pesquisas de boca de urna divulgadas no momento do fechamento apontavam disputa bem mais apertada — Trend dava 51,4% a 43,6%, e Myara, 51,0% a 44,7% —, e a diferença se abriu conforme as contagens avançaram.
Comparecimento perto de 30%
A Comissão Eleitoral Central registrou 19,33% de comparecimento às 16h, acima dos 15,95% no mesmo horário do primeiro turno. Ao fechamento, a Alpha Research estimou 29,1%, cerca de 1,92 milhão de eleitores, e a Myara, 27,2%; os institutos projetavam um número final pouco abaixo de 30%.
Ainda assim, é um patamar historicamente baixo. O primeiro turno, em 25 de outubro, terminou com 22,98% — o menor comparecimento de uma eleição presidencial búlgara desde a redemocratização, segundo o jornal The Sofia Globe.
A conta importa menos pela margem do que pelo tamanho do mandato: nas estimativas da Novinite, Iotova chega à presidência com algo entre 1 milhão e 1,1 milhão de votos, bem abaixo dos 2.738.420 de Jeliu Jelev em 1992 e dos 2.063.032 de Rumen Radev em 2016.
Quem são os dois
Iotova, 61 anos, é presidente em exercício desde janeiro de 2026, quando Radev renunciou ao cargo para disputar a eleição parlamentar — ele hoje é primeiro-ministro. Ela completa o mandato de Radev, que termina em janeiro de 2027. Concorreu como independente, apoiada pelo partido Bulgária Progressista, de Radev, e por legendas da esquerda, e defende, em suas palavras, que o país tenha "política externa própria" e voz forte na União Europeia. Antes, foi deputada no Parlamento Europeu pelo grupo dos Socialistas e Democratas.
Gyurov, 50 anos, foi primeiro-ministro interino neste ano, depois de ocupar a vice-presidência do Banco Nacional da Bulgária. Teve o apoio da coalizão reformista e pró-ocidental Continuamos a Mudança–Bulgária Democrática e, como premiê, assinou um acordo de cooperação em segurança com Kiev. O ex-primeiro-ministro Boiko Borissov declarou voto nele, mas não pediu o mesmo a seus eleitores.
Os vices das duas chapas são Kiril Valtchev, com Iotova, e Georgi Kandev, com Gyurov. No primeiro turno, o resultado oficial final foi de 34,76% para Iotova e 31,95% para Gyurov, e o segundo turno foi convocado porque ninguém alcançou maioria.
A votação sob ataques no Mar Negro
A eleição ocorreu no mês em que ataques de drones atingiram navios mercantes no litoral búlgaro do Mar Negro. Cerca de duas dezenas de marinheiros são dados como mortos, e na quarta-feira um porta-contêineres grego afundou depois de ser atingido por drones navais, segundo a Reuters. O governo pediu ajuda de aliados para a segurança marítima, e os dois candidatos condenaram os ataques e defenderam uma saída diplomática para a guerra na Ucrânia.
Radev afirmou que o resultado dos ataques "beneficia a Federação Russa". Sobre a eleição, disse: "Sei que Iliana Iotova será uma presidente digna." Petar Vitanov, do Bulgária Progressista, declarou que "depois de amanhã, a Bulgária estará mais estável e mais calma". Na campanha de Gyurov, Aleksandrina Pendachanska rejeitou a leitura de derrota: "Não se pode falar de qualquer queda ou perda de votos."
A presidência búlgara tem atribuições sobretudo cerimoniais, mas ganhou peso político nos últimos anos pela sucessão de governos interinos nomeados pelo Palácio.
Com informações de Novinite, The Sofia Globe, Reuters e Euronews.




