O investimento estrangeiro direto no setor brasileiro de informação e comunicação somou US$ 5,607 bilhões entre janeiro e setembro de 2026 — o maior volume já registrado para esse intervalo de nove meses. O número vem de dados do Banco Central analisados pelo Ministério das Comunicações e foi divulgado na sexta-feira (30).
Cinco anos, mesmo recorte
Os valores acumulados de janeiro a setembro, ano a ano:
| Ano | Investimento (jan–set) |
|---|---|
| 2022 | US$ 3,363 bi |
| 2023 | US$ 4,285 bi |
| 2024 | US$ 4,994 bi |
| 2025 | US$ 5,188 bi |
| 2026 | US$ 5,607 bi |
Em quatro anos, o fluxo cresceu cerca de 67%.
O recorde cresce, o ritmo não
Vale olhar a série pela variação anual, e não só pelo topo. De 2022 para 2023 a alta foi de 27,4%; de 2023 para 2024, de 16,5%; de 2024 para 2025, de 3,9%; e agora, de 8,1%.
Ou seja: 2026 é o maior valor da série e, ao mesmo tempo, cresce a um terço do ritmo de 2023. A recuperação sobre o quase-estagnado 2025 é real, mas o patamar de expansão acelerada do início da série não voltou. É a diferença entre um setor que atrai capital de forma consistente e um setor em arrancada — e, hoje, os números descrevem o primeiro caso.
Para onde o dinheiro vai
O ministério atribui o fluxo à demanda por infraestrutura de telecomunicações, conectividade de alta velocidade e soluções digitais, e lista como componentes centrais as redes móveis, a fibra óptica, os data centers e os serviços de informação. A pasta não abriu quanto cabe a cada um desses itens — em particular, não informou o quanto dos US$ 5,607 bilhões foi para data centers, hoje o item mais disputado da conta em praticamente todos os mercados.
"Estamos trabalhando para ampliar a conectividade, modernizar as redes e criar um ambiente favorável à inovação", disse o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, ao comentar os dados.
Um alerta de leitura: o recorte é "informação e comunicação", uma classificação mais ampla do que telecomunicações. Levantamentos que isolam apenas o segmento de telecom chegam a cifras bem menores para 2026, e os dois números não são comparáveis entre si.
Com informações da Agência Gov, do Ministério das Comunicações, do Banco Central e do IPNews.




