A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% entre julho e setembro, o ritmo mais forte em um ano, segundo a estimativa preliminar divulgada na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, pelo Bureau of Economic Analysis (BEA, o órgão americano de estatísticas econômicas). No segundo trimestre, o crescimento havia sido de 2,2%.
Na mesma manhã, o órgão publicou o relatório de renda e gastos das famílias referente a setembro. Ele mostrou o índice de preços de gastos com consumo pessoal — o PCE, indicador que o Federal Reserve (o banco central americano) acompanha mais de perto — 3,6% acima do nível de um ano antes, com o núcleo, que exclui alimentos e energia, em 3,1%.
Os dois números chegaram um dia depois de o Fed manter a taxa básica em 3,75%-4% e cinco dias antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O que puxou o trimestre
A aceleração veio sobretudo do investimento e de uma virada para cima dos gastos do governo, segundo o BEA, parcialmente compensados por uma queda das exportações.
- O investimento subiu, puxado pela formação de estoques privados e por equipamentos, em especial os de processamento de informação.
- O consumo das famílias cresceu tanto em serviços quanto em bens. Saúde e alimentação fora de casa e hospedagem lideraram o lado dos serviços; os bens não duráveis, sobretudo medicamentos de prescrição, lideraram o lado dos bens.
- Os gastos do governo subiram pelo lado federal não militar, movimento que o órgão associou a vendas menores da Reserva Estratégica de Petróleo do que no segundo trimestre.
- As exportações caíram, puxadas por petróleo e derivados, enquanto as importações — que entram subtraindo no cálculo do PIB — cresceram mais rápido que no trimestre anterior, com bens de capital, excluídos os automotivos, como principal contribuição.
Medido em dólares correntes, o PIB subiu 5,6%. As vendas finais reais a compradores privados domésticos, medida que retira estoques, comércio exterior e governo e costuma ser lida como o ritmo subjacente da economia, cresceram 4,9%, ante 4,6% no segundo trimestre.
Duas leituras de inflação que não dizem a mesma coisa
Os números trimestrais e os mensais apontam em direções diferentes, e a razão é aritmética, não contradição.
Ao longo do terceiro trimestre, o índice de preços PCE subiu a uma taxa anualizada de 2,1%, forte recuo ante os 5,0% do segundo trimestre; o núcleo desacelerou de 3,3% para 2,5%. Esses números comparam a média de um trimestre com a média do trimestre anterior. A leitura de setembro — 3,6% no índice cheio e 3,1% no núcleo — compara um único mês com o mesmo mês do ano anterior e, por isso, ainda carrega as altas de preços do fim de 2025 e do começo de 2026.
Só em setembro, os preços subiram 0,5% ante agosto, com o núcleo em alta de 0,3%. É um ritmo mensal bem acima do que a meta anual de 2% do Fed implica.
As famílias gastaram mais do que ganharam
O lado da renda de setembro ficou fraco diante do lado dos gastos. A renda pessoal subiu US$ 54,5 bilhões, ou 0,2%, e a renda pessoal disponível subiu US$ 52,7 bilhões, também 0,2%. O consumo das famílias avançou US$ 113,1 bilhões, ou 0,5% — mais que o dobro do ritmo da renda.
A taxa de poupança pessoal caiu para 3,8%, baixa para o padrão da última década. Gasto que supera a renda tende a ser financiado por poupança acumulada ou por crédito, e é essa combinação que merece acompanhamento, mais do que o mês isolado.
A estimativa preliminar do PIB se apoia em parte no Advance Economic Indicators Report de setembro, do Census Bureau (o órgão americano de censo e estatística), e o BEA registra que ela será substituída. A segunda estimativa, junto com os lucros das empresas, está marcada para 25 de novembro de 2026.
Com informações do Bureau of Economic Analysis, Bloomberg, ABC News e CNBC.




