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Economia

Economia dos EUA acelera para 3,4% ao ano no terceiro trimestre, e a inflação de setembro fica em 3,6%

A primeira estimativa do PIB é a mais forte em um ano, ante 2,2% no segundo trimestre; o índice de preços PCE subiu 0,5% em setembro e a taxa de poupança caiu para 3,8%.

Por Redação RecortNews
O Herbert C. Hoover Building, na Constitution Avenue, em Washington, sede do Departamento de Comércio dos EUA, cujo Bureau of Economic Analysis divulga os números do PIB e do PCE, fotografado em 2024.
O Herbert C. Hoover Building, na Constitution Avenue, em Washington, sede do Departamento de Comércio dos EUA, cujo Bureau of Economic Analysis divulga os números do PIB e do PCE, fotografado em 2024.Foto: Tony Webster/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% entre julho e setembro, o ritmo mais forte em um ano, segundo a estimativa preliminar divulgada na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, pelo Bureau of Economic Analysis (BEA, o órgão americano de estatísticas econômicas). No segundo trimestre, o crescimento havia sido de 2,2%.

Na mesma manhã, o órgão publicou o relatório de renda e gastos das famílias referente a setembro. Ele mostrou o índice de preços de gastos com consumo pessoal — o PCE, indicador que o Federal Reserve (o banco central americano) acompanha mais de perto — 3,6% acima do nível de um ano antes, com o núcleo, que exclui alimentos e energia, em 3,1%.

Os dois números chegaram um dia depois de o Fed manter a taxa básica em 3,75%-4% e cinco dias antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

O que puxou o trimestre

A aceleração veio sobretudo do investimento e de uma virada para cima dos gastos do governo, segundo o BEA, parcialmente compensados por uma queda das exportações.

  • O investimento subiu, puxado pela formação de estoques privados e por equipamentos, em especial os de processamento de informação.
  • O consumo das famílias cresceu tanto em serviços quanto em bens. Saúde e alimentação fora de casa e hospedagem lideraram o lado dos serviços; os bens não duráveis, sobretudo medicamentos de prescrição, lideraram o lado dos bens.
  • Os gastos do governo subiram pelo lado federal não militar, movimento que o órgão associou a vendas menores da Reserva Estratégica de Petróleo do que no segundo trimestre.
  • As exportações caíram, puxadas por petróleo e derivados, enquanto as importações — que entram subtraindo no cálculo do PIB — cresceram mais rápido que no trimestre anterior, com bens de capital, excluídos os automotivos, como principal contribuição.

Medido em dólares correntes, o PIB subiu 5,6%. As vendas finais reais a compradores privados domésticos, medida que retira estoques, comércio exterior e governo e costuma ser lida como o ritmo subjacente da economia, cresceram 4,9%, ante 4,6% no segundo trimestre.

Duas leituras de inflação que não dizem a mesma coisa

Os números trimestrais e os mensais apontam em direções diferentes, e a razão é aritmética, não contradição.

Ao longo do terceiro trimestre, o índice de preços PCE subiu a uma taxa anualizada de 2,1%, forte recuo ante os 5,0% do segundo trimestre; o núcleo desacelerou de 3,3% para 2,5%. Esses números comparam a média de um trimestre com a média do trimestre anterior. A leitura de setembro — 3,6% no índice cheio e 3,1% no núcleo — compara um único mês com o mesmo mês do ano anterior e, por isso, ainda carrega as altas de preços do fim de 2025 e do começo de 2026.

Só em setembro, os preços subiram 0,5% ante agosto, com o núcleo em alta de 0,3%. É um ritmo mensal bem acima do que a meta anual de 2% do Fed implica.

As famílias gastaram mais do que ganharam

O lado da renda de setembro ficou fraco diante do lado dos gastos. A renda pessoal subiu US$ 54,5 bilhões, ou 0,2%, e a renda pessoal disponível subiu US$ 52,7 bilhões, também 0,2%. O consumo das famílias avançou US$ 113,1 bilhões, ou 0,5% — mais que o dobro do ritmo da renda.

A taxa de poupança pessoal caiu para 3,8%, baixa para o padrão da última década. Gasto que supera a renda tende a ser financiado por poupança acumulada ou por crédito, e é essa combinação que merece acompanhamento, mais do que o mês isolado.

A estimativa preliminar do PIB se apoia em parte no Advance Economic Indicators Report de setembro, do Census Bureau (o órgão americano de censo e estatística), e o BEA registra que ela será substituída. A segunda estimativa, junto com os lucros das empresas, está marcada para 25 de novembro de 2026.

Com informações do Bureau of Economic Analysis, Bloomberg, ABC News e CNBC.