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Economia

Países da União Europeia vão liberar 20,5 milhões de barris de diesel das reservas estratégicas até o fim de janeiro

A declaração conjunta foi apresentada no Conselho de Energia em Luxemburgo e integra a ação coletiva da Agência Internacional de Energia; o Brent estava em torno de US$ 112 em 20 de outubro, contra cerca de US$ 40 antes da guerra no Oriente Médio.

Por Redação RecortNews
O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, durante visita ao Reino Unido, em junho de 2026.
O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, durante visita ao Reino Unido, em junho de 2026.Foto: Carlos Jasso/Comissão Europeia – Serviço Audiovisual, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Onze governos da União Europeia assinaram em 29 de outubro, em Luxemburgo, uma declaração conjunta para retirar 20,5 milhões de barris de diesel de suas reservas estratégicas até o fim de janeiro de 2027. O texto foi apresentado no Conselho de Energia pelo ministro francês da Energia, Roland Lescure, e integra a ação coletiva que a Agência Internacional de Energia (AIE) pôs em marcha em março deste ano.

A liberação é a resposta europeia a um inverno que começa com o mercado de diesel apertado. O grupo de monitoramento de petróleo da Comissão Europeia descreve a oferta do combustível como "ainda restrita", e Bruxelas afirma que não espera falta física de produto — mas sim preço alto.

Quem assinou

Segundo a Euronews, o documento foi assinado por Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Suécia, todos membros da AIE. A contagem não é idêntica em todas as apurações: a Agence Europe lista a Letônia no lugar da Lituânia, e o Gulf News conta doze signatários, somando os dois países.

Os governos pediram à Comissão Europeia que acompanhe as retiradas pelo Grupo de Coordenação do Petróleo e colete dados mensais de volume liberado, tipo de produto e prazo de entrega, para dar mais transparência ao mercado. O andamento será revisto na reunião de ministros de Energia de 10 de dezembro, antes do prazo de janeiro.

Quanto, e de quê

O número comum às três apurações é o de 20,5 milhões de barris de diesel. O volume total declarado, porém, aparece de formas diferentes: a Agence Europe e o Gulf News descrevem a declaração como a liberação de 42,6 milhões de barris de petróleo e derivados, cerca de metade deles de diesel, enquanto a Euronews atribui esse mesmo total de 42,6 milhões à ação coletiva da AIE de março de 2026, da qual quase metade também era diesel.

A declaração europeia vem depois de um compromisso do G7. Em 2 de outubro, segundo a Agence Europe, as economias do grupo decidiram liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto. O Gulf News relaciona essa decisão a uma ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir exportações americanas de diesel, e à pressão de Washington sobre a Europa para que abrisse seus estoques.

O que empurrou o preço

A guerra no Oriente Médio, com ataques a refinarias no Golfo, e os ataques ucranianos a refinarias russas reduziram a capacidade de refino disponível no mundo e estreitaram o mercado de destilados. O barril de Brent estava em torno de US$ 112 em 20 de outubro, contra cerca de US$ 40 antes do conflito, de acordo com a Euronews.

O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, disse que a alta de preços atinge com mais força os mais vulneráveis e que, para quem tem dificuldade de pagar as contas, a ausência de desabastecimento "pode não importar".

A observação que os números pedem é de prazo: liberar estoque alivia a pressão por algumas semanas, mas não recria capacidade de refino perdida nem corrige a dependência europeia da importação de destilados — leitura que analistas ouvidos pela Euronews repetem. A Comissão abriu um diálogo estratégico com refinadores e produtores de combustível; a FuelsEurope, entidade do setor de refino, pediu uma abordagem que "proteja a competitividade" da indústria europeia e melhores condições de investimento.

Com informações da Euronews, da Agence Europe, do Gulf News e do Chronicle.lu.