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Economia

Williams, do Fed, vê mais uma alta de juros neste ano, mas diz que não há pressa depois do aumento de setembro

Com a faixa-alvo em 3,75%–4%, a inflação em 3,7% e o juro do título de 30 anos fechando a 5,59%, o presidente do Fed de Nova York disse que o Comitê tem tempo para reunir mais informação antes de se mover.

Por Redação RecortNews
John C. Williams, presidente do Federal Reserve Bank of New York, em retrato oficial feito em 2018.
John C. Williams, presidente do Federal Reserve Bank of New York, em retrato oficial feito em 2018.Foto: Federal Reserve Bank of New York/Wikimedia Commons, Public domain

John Williams, presidente do Federal Reserve Bank of New York (um dos doze bancos regionais que formam o banco central americano), disse a uma plateia na University at Buffalo, em 29 de setembro de 2026, que o Fed pode esperar antes de subir os juros de novo — sem tirar da mesa mais um aumento antes do fim do ano.

"Se a economia evoluir de forma amplamente consistente com a minha projeção, mais um ajuste para cima da faixa-alvo dos fed funds pode ser apropriado no fim deste ano", afirmou. Mas foi igualmente claro sobre o ritmo: "Com a ação de política que tomamos na reunião de setembro, não há necessidade de pressa, e temos tempo para reunir mais informação."

O Federal Open Market Committee (o comitê de política monetária do Fed) elevou a faixa-alvo em um quarto de ponto percentual naquela reunião de setembro, para 3,75% a 4%.

Inflação a 3,7%, e três razões para ela

Williams não amenizou o diagnóstico. "A 3,7%, a inflação é inquestionavelmente alta demais", disse, ao mesmo tempo que projetou inflação de 3,5% para este ano, desaceleração para pouco acima de 2% no ano que vem e chegada à meta de 2% do Fed em 2028.

Ele atribuiu a persistência a três forças. As tarifas sobre importações empurraram preços para cima, mas já não somam à inflação. A desorganização de cadeias de suprimento e os preços de energia ligados a conflitos no Oriente Médio ainda estão se transmitindo. E a demanda segue robusta, em parte por causa do investimento ligado à inteligência artificial — uma rubrica que agora aparece na contabilidade de inflação de um banqueiro central.

Sobre atividade e emprego, a projeção é deliberadamente sem sobressaltos: PIB real crescendo cerca de 2% a 2,25% este ano e no próximo, um mercado de trabalho que ele descreveu como sólido e até marginalmente mais forte na margem, e desemprego recuando para perto de 4% ao longo do próximo ano. O crescimento da força de trabalho, observou, já não contribui muito para a expansão.

Os duros do mesmo dia

Outros três dirigentes do Fed falaram em 29 de setembro, e dois deles pesaram mais a mão do que Williams. O diretor Michael Barr disse que novos ajustes de política provavelmente serão necessários e que não vê uma tendência clara de volta à inflação de 2% em prazo razoável. Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, classificou a inflação acima da meta por cinco anos e meio como "brincar com fogo". Alberto Musalem, do Fed de St. Louis, tratou de como o Comitê se comunica, e não de onde vão os juros.

Os mercados leram a dispersão e passaram a precificar cerca de dois terços de chance de alta na reunião de outubro, com probabilidade maior para dezembro.

O que a ponta longa está dizendo

O mercado de títulos não está esperando o Comitê se decidir. Segundo a curva diária de juros do Departamento do Tesouro americano, o título de 10 anos fechou a 5,26% em 29 de setembro e o de 30 anos a 5,59% — contra 5,17% e 5,49% em 25 de setembro, ambos nas máximas de vários anos.

Vale parar nessa combinação. O debate de política em Washington é sobre um único movimento de 0,25 ponto; o juro que os investidores exigem para emprestar aos Estados Unidos por trinta anos subiu cerca de dez pontos-base em quatro sessões. Uma ponta longa em alta enquanto a discussão de juro curto é tão estreita não é um mercado precificando um Fed mais duro. É um mercado precificando inflação, e endividamento, que duram.

Para o leitor brasileiro, é a ponta longa que importa mais: é ela que ancora o custo do dólar, o prêmio exigido dos emergentes e a conta de rolagem da dívida externa privada.

Com informações do Federal Reserve Bank of New York, do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e do InvestingLive.