Israel revogou o status diplomático dos funcionários holandeses lotados em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. O anúncio foi feito na noite de domingo (27) pelo chanceler Gideon Sa'ar, que deu aos diplomatas prazo de sete dias para devolver a documentação diplomática emitida pelo governo israelense.
Sem esses documentos, o pessoal do Escritório de Representação dos Países Baixos junto aos palestinos perde as prerrogativas que Israel concede — e que são, na prática, o que permite circular entre Israel e os territórios ocupados.
"Se os Países Baixos desejam continuar representando seus interesses junto aos palestinos, podem fazê-lo a partir de território da Autoridade Palestina, e não do território do Estado de Israel", disse Sa'ar.
O que motivou a retaliação
A causa é uma medida comercial holandesa que entrou em vigor em 22 de setembro: a proibição de importar, comprar e vender bens produzidos nos assentamentos israelenses em território palestino ocupado, incluindo os serviços de intermediação que viabilizam esse comércio. O comércio com Israel dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas do país segue livre.
É uma distinção deliberada — o embargo mira o que vem dos assentamentos, não a economia israelense como um todo —, mas Israel a tratou como ato hostil. "Israel não ignorará medidas destinadas a prejudicá-lo", afirmou o chanceler. "Qualquer país que agir de maneira hostil e unilateral contra Israel perderá influência e relevância na região."
Não é o primeiro atrito com Haia
No mês passado, Israel já havia retirado um representante holandês do centro internacional de apoio a Gaza instalado em Kiryat Gat, também por causa do embargo aos assentamentos.
Reino Unido, Canadá e França anunciaram restrições semelhantes ao comércio com os assentamentos no início de setembro. Segundo a UPI, as medidas vieram depois de Israel abrir licitações para 1.234 unidades habitacionais na área E1 da Cisjordânia — o trecho que, se ocupado, separa o norte do sul do território palestino.
O Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos não havia comentado a decisão israelense até a publicação das reportagens consultadas.
Com informações de Al Jazeera, UPI e The National.




