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Leão XIV chega à França e vai ouvir sete vítimas de abuso em Lourdes

Primeira viagem papal a Paris desde Bento XVI, em 2008, custa € 27 milhões à Igreja francesa e mobiliza 15 mil policiais

Por Redação RecortNews
Leão XIV percorre a Praça de São Pedro no papamóvel durante a missa de início de pontificado, no Vaticano, em maio de 2025.
Leão XIV percorre a Praça de São Pedro no papamóvel durante a missa de início de pontificado, no Vaticano, em maio de 2025.Foto: Congressman Michael McCaul (R-Texas)/Wikimedia Commons, domínio público

O papa Leão XIV desembarcou no aeroporto de Paris-Orly na manhã desta sexta-feira, 25 de setembro, recebido pelo presidente Emmanuel Macron e pela primeira-dama, Brigitte Macron, enquanto sinos de igrejas tocavam em todo o país. É a primeira visita oficial de um papa à França em 18 anos — a última passagem por Paris foi a de Bento XVI, em setembro de 2008.

A viagem vai até segunda-feira, 28, e é o quinto giro apostólico do pontificado. O Vaticano deu a ela o lema "Que o mundo tenha vida", que, segundo o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, remete tanto à defesa da vida humana "da concepção à morte natural" quanto à vitalidade espiritual da Igreja francesa.

Sete sobreviventes, cerca de uma hora

O ponto mais delicado da agenda está em Lourdes, no sábado: um encontro de aproximadamente uma hora com sete sobreviventes de abuso sexual cometido dentro da Igreja, em formato de conversa pessoal. A Conferência Episcopal Francesa e a Conferência dos Religiosos escolheram os participantes depois de procurar cerca de 40 pessoas e organizações; o grupo reúne homens e mulheres que sofreram violência em escolas e paróquias. Quem não foi incluído no encontro presencial foi convidado a enviar depoimento escrito pelo serviço de proteção à infância da Igreja francesa.

O pano de fundo é o relatório da Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja (Ciase), publicado em 2021 e conhecido pelo nome de seu presidente, Jean-Marc Sauvé. O documento estimou em 216 mil o número de menores abusados por clérigos na França desde 1950 e em cerca de 330 mil quando somados os casos atribuídos a leigos ligados a instituições da Igreja.

Unesco, Stade de France e Metz

Em Paris, Leão XIV é recebido no Palácio do Eliseu e discursa na sede da Unesco, onde deve tratar de inteligência artificial — tema que já marcou o começo de seu pontificado. Estão previstos ainda uma oração com líderes religiosos em Notre-Dame, um encontro com migrantes na Casa Bakhita, uma missa na Praça da Concórdia com 42 telões instalados ao longo dos Champs-Élysées e um trajeto de 2,5 quilômetros de papamóvel pelo centro da capital.

No sábado à noite, uma vigília no Stade de France, em Saint-Denis, deve reunir 80 mil jovens de 17 a 35 anos. Em Lourdes, a agenda prevê a Gruta das Aparições, a procissão das velas e um encontro com doentes. A viagem termina em Metz, na segunda-feira, com um encontro inter-religioso e um discurso sobre as raízes europeias e a unidade do continente, no centro de conferências que leva o nome de Robert Schuman.

A conta

A Igreja francesa calcula o custo da visita em € 27 milhões — acima das primeiras estimativas —, dos quais € 5,5 milhões já foram levantados pela Conferência Episcopal. Segurança e serviços públicos ficam por conta do Estado francês: são 15 mil policiais e gendarmes mobilizados, além de 17 mil voluntários e 2,5 mil jornalistas credenciados. A expectativa dos organizadores é de cerca de 1 milhão de pessoas ao longo dos quatro dias, incluindo até 150 mil no trajeto do papamóvel e mais de 500 mil nas imediações do Arco do Triunfo.

Organizar em quatro meses uma viagem desse porte diz algo sobre a pressa: a Igreja na França perde fiéis e enfrenta uma crise de confiança que o relatório Ciase escancarou. O encontro de uma hora em Lourdes será lido, dentro e fora do país, como medida do que este pontificado pretende fazer a respeito.

Com informações do Vatican News, da Euronews, do Correio Braziliense e do Sete Margens.