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Política

Marrocos tem a primeira mulher chefe de governo: o rei encarrega Fatima Ezzahra El Mansouri de montar o gabinete

Advogada de 50 anos e prefeita de Marrakech, ela chega ao cargo sem maioria: o PAM elegeu 97 das 395 cadeiras em 23 de setembro, com participação de 38%

Por Redação RecortNews
A sede do Parlamento do Marrocos, em Rabat, em 2019. A Câmara dos Representantes, eleita em 23 de setembro, tem 395 cadeiras.
A sede do Parlamento do Marrocos, em Rabat, em 2019. A Câmara dos Representantes, eleita em 23 de setembro, tem 395 cadeiras.Foto: Fernando Pascullo/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O rei Mohammed VI recebeu Fatima Ezzahra El Mansouri no Palácio Real de Rabat nesta terça-feira (29) e a encarregou de formar o novo governo do Marrocos. Advogada de 50 anos, prefeita de Marrakech e ex-ministra da Habitação, ela é a primeira mulher a chefiar o Executivo na história do país.

A escolha segue o que manda a Constituição marroquina: o monarca indica o chefe de governo no partido que elegeu mais deputados. O Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), ao qual El Mansouri se filiou quando a legenda foi fundada, em 2008, ficou em primeiro lugar nas legislativas de 23 de setembro.

Ela já havia sido a primeira mulher a governar Marrakech, eleita prefeita em 2009, aos 33 anos, e reconduzida em 2021. Nesta eleição, disputou e obteve uma cadeira de deputada.

Primeiro lugar, mas sem maioria

O PAM elegeu 97 das 395 cadeiras da Câmara dos Representantes. Vêm atrás o Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), com 66, o Istiqlal, com 65, e o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD), de orientação islamista, com 54.

Nenhum deles chega à maioria absoluta, e o primeiro colocado está a menos de um terço da Câmara. El Mansouri precisa, portanto, fechar acordo com ao menos um dos três maiores partidos seguintes antes de apresentar um gabinete — que, se confirmado, governa por cinco anos.

A eleição que quase ninguém votou

A participação ficou em 38%, a menor em quase duas décadas, contra cerca de 50% no pleito de cinco anos antes. O número é a moldura do governo que nasce agora: a legenda mais votada do país recebeu o mandato de um eleitorado em que quase dois terços não compareceram.

O pleito ocorreu em meio a desconfiança generalizada em relação à classe política e a protestos puxados sobretudo por jovens, concentrados em desemprego, carestia dos alimentos e falta de perspectiva. Em julho, corridas em massa à cerca de Ceuta, enclave espanhol no norte da África, expuseram a mesma pressão.

O que está na mesa

Segundo a CNN Brasil, o comunicado do gabinete real encarrega a nova chefe de governo de conduzir um plano de investimentos de US$ 20 bilhões ligado à Copa do Mundo de 2030, que o Marrocos sedia junto com Espanha e Portugal, e de responder ao descontentamento dos jovens.

Na campanha, o PAM prometeu crescimento econômico de 5% ao ano, inflação em 2% e a criação de um milhão de empregos ao longo do mandato. São metas que dependem menos do gabinete que ela vai montar do que da coalizão que aceitar assiná-las.

Com informações de CNN Brasil, O Povo (com EFE) e Notícias ao Minuto (com Lusa).