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México aprova o lenacapavir, a primeira profilaxia contra o HIV aplicada em duas injeções por ano

A agência sanitária mexicana autorizou o medicamento em 24 de setembro. No ensaio PURPOSE 1 não houve nenhuma infecção entre 2.134 participantes que o receberam; preço e distribuição pública seguem indefinidos.

Por Redação RecortNews
Representação tridimensional, em modelo de bolas e varetas, da molécula de lenacapavir.
Representação tridimensional, em modelo de bolas e varetas, da molécula de lenacapavir.Foto: Jovan.gec/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Cofepris (Comisión Federal para la Protección contra Riesgos Sanitarios, a agência sanitária do México) autorizou em 24 de setembro de 2026 o uso do lenacapavir como profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV. É a primeira opção preventiva do país que não precisa ser tomada todos os dias: são duas injeções subcutâneas por ano, uma a cada seis meses.

A agência informou que a autorização veio depois da análise das evidências disponíveis de qualidade, segurança e eficácia. Com ela, o México se junta a Brasil, Estados Unidos e aos países da União Europeia, onde o medicamento já está aprovado.

O que mostraram os ensaios

A decisão se apoia em dois estudos de fase 3. No PURPOSE 1, não houve nenhuma infecção por HIV entre os 2.134 participantes que receberam lenacapavir. No PURPOSE 2, que incluiu homens cisgênero, mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias com parceiros sexuais homens, houve duas infecções entre quem recebeu o medicamento.

O México participou do desenvolvimento desde 2023, pelo protocolo GS-US-528-9023, avaliado durante três anos até a aprovação.

O histórico regulatório é recente: a FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) autorizou o lenacapavir em junho de 2025, e a Organização Mundial da Saúde o recomendou em julho do mesmo ano como a primeira PrEP injetável de aplicação semestral.

Segundo o protocolo clínico, o medicamento é destinado a pessoas de 16 anos ou mais sob risco de infecção.

A pergunta que o registro não responde

Um registro sanitário autoriza a venda; não fixa o preço nem garante que o sistema público vá comprar. Nenhum desses dois pontos ficou definido no anúncio — e é aí que se decide o efeito real da medida.

Um estudo de 2025 do Instituto Nacional de Salud Pública (instituto nacional de saúde pública do México) calculou que, a um preço acessível, o lenacapavir poderia reduzir em 68% as transmissões de HIV na região e evitar cerca de 28 mil novas infecções até 2030. A distância entre essa projeção e o resultado depende inteiramente de quanto custa a injeção e de quem paga por ela.

Com informações de El Informador e Proceso.