Os museus de Pintura e de Arquitetura do Real Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial, a cerca de 45 quilômetros a noroeste de Madri, voltaram a abrir ao público nesta sexta-feira (2), depois de uma década fechados. A reabertura foi apresentada à imprensa na véspera pela Patrimonio Nacional, o órgão espanhol que administra os bens da Coroa, e custou 3,1 milhões de euros, financiados principalmente com recursos europeus do programa NextGenerationEU.
A entrada é gratuita até 31 de dezembro de 2026, com retirada de bilhete no centro de recepção de visitantes. A partir de janeiro de 2027, o acesso aos dois museus passa a fazer parte do ingresso geral do conjunto monumental.
Cem pinturas, 21 delas inéditas na exposição permanente
O Museu de Pintura reúne cerca de cem obras das escolas italiana, flamenga e espanhola. Vinte e uma entram na exposição permanente pela primeira vez.
Entre as peças de maior porte estão O martírio de São Maurício, de El Greco, A coroação de espinhos, de Hieronymus Bosch, e São Jerônimo no deserto, de Ticiano. O percurso inclui ainda O Calvário e O descimento da cruz, de Rogier van der Weyden, e trabalhos de Tintoretto, Veronese, Luca Giordano, José de Ribera e Michiel Coxcie.
O Museu de Arquitetura, instalado no mesmo circuito, expõe plantas originais, esboços, maquetes, gravuras e ferramentas e máquinas usadas na construção do mosteiro, erguido entre 1563 e 1584. A reforma também devolveu ao percurso salas que estavam fora do roteiro, entre elas um Salão de Honra e uma antiga cozinha palaciana transformada em área de descanso.
"Uma inquietação pessoal de Felipe II"
Ana de la Cueva, presidente da Patrimonio Nacional, ligou a escolha dos dois temas ao próprio rei que mandou construir o conjunto: "a arquitetura e a pintura foram uma inquietação pessoal de Felipe II durante toda a vida". A apresentação contou ainda com Víctor Cageao, diretor de Coleções Reais, e Luis Pérez de Prada, diretor de Bens Imóveis do órgão.
Segundo a Patrimonio Nacional, a obra "devolve aos visitantes dois espaços para descobrir o patrimônio artístico, arquitetônico e histórico do Real Sítio". O órgão também anunciou visitas familiares nos domingos e atividades escolares.
Dez anos é um intervalo longo para duas salas de um dos monumentos mais visitados da Espanha — e a gratuidade de três meses funciona como um teste de público antes de o acesso voltar a ser cobrado dentro do bilhete geral.
Com informações de El Independiente, Qué.es, El Debate e Cope.




