A Netflix estreia nesta sexta-feira, 6 de novembro, "Palacio", série colombiana de oito episódios sobre a tomada do Palácio da Justiça de Bogotá e a operação militar que recuperou o prédio. A data não é casual: coincide com o aniversário de 41 anos do início dos fatos.
A produção é da Dynamo, a casa colombiana por trás de títulos como "Narcos". A direção se divide entre o guatemalteco Jayro Bustamante, o mexicano Édgar Nito e o colombiano Samir Oliveros. O roteiro é assinado por Natalia Santa — também showrunner —, Enrique Videla, Enrique Lozano, Jenny Ceballos e Estefanía Piñeres.
Sete anos de pesquisa e um set de 4.000 metros
A série se apresenta como ficção inspirada em fatos reais e foi construída sobre uma pesquisa de mais de sete anos com documentos, depoimentos e entrevistas. Foi rodada majoritariamente em Bogotá, em um set de mais de 4.000 metros quadrados que levou mais de três meses para ser erguido e inclui uma estrutura de 30 metros que replica a fachada original do prédio.
O projeto usou o incentivo CINA, um desconto tributário de 35% sobre o gasto audiovisual realizado na Colômbia. A Netflix resume o relato em uma frase que fixa o alcance temporal da série: "27 horas de horror seguidas de 40 anos de perguntas sem resposta".
Quem é quem no elenco
Natalia Reyes interpreta Pilar Navarrete, uma das familiares de desaparecidos que por décadas sustentou a busca por justiça. Carlos Manuel Vesga vive o coronel da reserva Alfonso Plazas Vega, que comandou parte da operação militar. Robinson Díaz faz o então presidente Belisario Betancur e Santiago Alarcón, o magistrado Alfonso Reyes Echandía, presidente da Corte Suprema de Justicia (a corte suprema colombiana) em 1985. Também participam Luna Baxter, Mariana Gómez, Nicole Santamaría, Andrés Castañeda e Camilo Amores.
"41 anos depois, se faz mais urgente que nunca contar esta história", escreveu Reyes no Instagram.
Francisco Ramos, vice-presidente de conteúdos da Netflix para a América Latina, destacou ao apresentar o projeto que "a Colômbia tem uma trajetória muito boa em produção audiovisual".
Os fatos que a série reconstrói
Em 6 de novembro de 1985, um comando do M-19 entrou à força no Palácio da Justiça, na Plaza de Bolívar de Bogotá, e fez mais de 300 pessoas de reféns, entre elas magistrados da Corte Suprema. No dia seguinte, o Exército retomou o prédio. O saldo foi de ao menos 94 mortos e desaparecidos, entre magistrados, guerrilheiros, civis e militares.
A Comisión de la Verdad (a comissão da verdade colombiana) atribuiu responsabilidades ao M-19, ao governo de Betancur e ao Exército Nacional, e considerou que a resposta militar foi desproporcional e não priorizou a vida dos reféns. O destino de várias pessoas que saíram vivas do prédio e nunca reapareceram segue sem esclarecimento pleno quatro décadas depois, e é o fio que a série usa para ligar 1985 ao presente.
Com informações de Infobae Colômbia e La República.




