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Paquistão bombardeia dez alvos em três províncias afegãs, e o Talibã promete resposta

Islamabad diz ter destruído esconderijos e bases de lançamento de drones em Kandahar, Paktia e Khost; Cabul contabiliza quatro civis mortos e nega ter enviado os drones que o vizinho diz ter abatido

Por Redação RecortNews
Vista aérea de um trecho da província de Kandahar, no sul do Afeganistão, em 2013. A província foi uma das três atingidas pelos ataques aéreos paquistaneses de quinta-feira.
Vista aérea de um trecho da província de Kandahar, no sul do Afeganistão, em 2013. A província foi uma das três atingidas pelos ataques aéreos paquistaneses de quinta-feira.Foto: Karla Marshall/Wikimedia Commons, domínio público

O Paquistão bombardeou dez pontos em três províncias do Afeganistão na madrugada de quinta-feira (24), na ação militar mais ampla entre os dois vizinhos desde o cessar-fogo costurado em março. O governo talibã contabilizou quatro civis mortos e prometeu retaliação.

Dez alvos, três províncias

Os ataques atingiram Kandahar, no sul, e Paktia e Khost, no leste, ambas na faixa de fronteira com o território paquistanês. Um morador da cidade de Kandahar relatou ao jornal saudita Arab News ter ouvido aviões e explosões na área central durante a noite.

O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, descreveu a operação como "deliberada, precisa, calibrada e proporcional" e disse que ela alcançou apenas objetivos militares identificados. Segundo ele, "esconderijos de terroristas e infraestrutura de apoio, incluindo locais de lançamento e armazenamento de drones, em dez localidades" foram destruídos. O governo paquistanês não reconheceu mortes de civis.

Do lado afegão, o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou os ataques nas três províncias e informou quatro civis mortos, sem detalhar onde. "Esses atos vergonhosos de agressão e os ataques do regime militar paquistanês terão uma resposta apropriada, por meio de uma postura decidida", afirmou.

A versão dos drones

O Paquistão sustenta que a ofensiva foi uma reação. Na véspera, quarta-feira (23), Islamabad afirmou que oito drones haviam cruzado sua fronteira a partir do Afeganistão — quatro interceptados na região de Torkham e quatro perto de Kohat.

Mujahid negou a versão: segundo o porta-voz, o Afeganistão não lançou drones contra o vizinho, e a violência que o Paquistão atribui a Cabul é um problema interno paquistanês.

Não é o primeiro episódio da semana. Na segunda-feira, ataques aéreos paquistaneses no distrito de Nurgal, província de Kunar, no nordeste do país, mataram três civis, segundo o governo talibã. Islamabad afirmou na ocasião ter eliminado 28 "terroristas" na mesma ação — duas contabilidades que não conversam entre si, e que nenhum órgão independente confirmou.

Um cessar-fogo que não segurou

A fronteira de 2.600 quilômetros entre os dois países vive em tensão aberta desde outubro de 2025, quando os confrontos escalaram para o pior nível em anos. Em março de 2026, Paquistão e Afeganistão chegaram a um cessar-fogo, mas as rodadas de mediação conduzidas por países da região não produziram um acordo duradouro.

No fundo da disputa está uma acusação que o Paquistão repete há anos: a de que o governo talibã abriga o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo armado responsável por atentados em território paquistanês, e outras facções aliadas. Cabul nega.

O padrão que se repetiu nesta semana — drones atribuídos a um lado, bombardeio do outro, números de mortos incompatíveis — é o mesmo que já derrubou o cessar-fogo anterior. A diferença, desta vez, é a extensão: dez alvos em três províncias, incluindo a segunda maior cidade do Afeganistão, é uma escala que não se vira facilmente para trás.

Com informações de Al Jazeera e Arab News.