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Brasil

PF e Funai destroem três escavadeiras e 19 barracos de garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó, no Pará

A Operação Escudo também inutilizou três camionetes, quatro motocicletas e oito motores em Cumaru do Norte, e resgatou um trabalhador ferido que havia sido deixado para trás no acampamento

Por Redação RecortNews
Mulheres do povo Kayapó durante um encontro nacional de povos indígenas, em 2021.
Mulheres do povo Kayapó durante um encontro nacional de povos indígenas, em 2021.Foto: Edgar Kanaykõ Xakriaba/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inutilizaram três escavadeiras hidráulicas, três camionetes, quatro motocicletas, oito motores e 19 barracos usados como base de apoio por garimpeiros dentro da Terra Indígena Kayapó, em Cumaru do Norte, no sudeste do Pará. A ação, batizada de Operação Escudo, ocorreu na quinta-feira (29) e teve como alvo declarado não o ouro em si, mas a logística que sustenta a extração ilegal na área.

O que foi inutilizado

O balanço divulgado pela PF lista:

  • 3 escavadeiras hidráulicas;
  • 3 camionetes;
  • 4 motocicletas;
  • 4 motores de grande porte e 4 de pequeno porte;
  • 19 barracos que funcionavam como base de apoio do acampamento.

Segundo a corporação, o equipamento foi destruído no próprio local porque a remoção da área era inviável. É o procedimento adotado em garimpos de difícil acesso: uma escavadeira apenas retirada de operação volta a cavar em poucos dias se continuar inteira, e levá-la de volta exige estrada ou balsa que, em boa parte da Terra Indígena Kayapó, não existe.

O número total de veículos é o ponto em que os relatos divergem. O texto distribuído pelo governo e a reportagem do jornal O Liberal descrevem o mesmo conjunto item por item — três camionetes e quatro motocicletas —, mas o jornal menciona, na abertura, um total menor do que a própria lista soma. A contagem por item é a que vem do balanço oficial.

Um trabalhador ferido, deixado para trás

A equipe encontrou no acampamento um trabalhador ferido, sem condições de sair sozinho. De acordo com a PF, as outras pessoas que estavam no local fugiram quando a operação chegou e o abandonaram. Ele recebeu atendimento de emergência, foi levado pelos policiais a uma unidade de saúde e foi orientado sobre como buscar seus direitos.

A PF registrou que ele pode ter trabalhado em condições degradantes — uma avaliação preliminar, que não equivale, por ora, a uma caracterização formal de trabalho análogo à escravidão.

O que a operação ainda não respondeu

Nem a Polícia Federal nem a Funai informaram prisões, o valor estimado dos equipamentos inutilizados, a extensão da área degradada pelo garimpo ou quem financiava a estrutura montada ali. São justamente os dados que separam a destruição de maquinário da responsabilização de quem bancou a operação — e eles costumam aparecer semanas depois, no inquérito, quando aparecem.

A Terra Indígena Kayapó é uma das maiores do país e está entre as mais pressionadas pelo garimpo de ouro na Amazônia Oriental, uma frente que avança pelo sul do Pará desde a década de 1980.

Com informações da Agência Gov, da Polícia Federal e do jornal O Liberal.