A Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inutilizaram três escavadeiras hidráulicas, três camionetes, quatro motocicletas, oito motores e 19 barracos usados como base de apoio por garimpeiros dentro da Terra Indígena Kayapó, em Cumaru do Norte, no sudeste do Pará. A ação, batizada de Operação Escudo, ocorreu na quinta-feira (29) e teve como alvo declarado não o ouro em si, mas a logística que sustenta a extração ilegal na área.
O que foi inutilizado
O balanço divulgado pela PF lista:
- 3 escavadeiras hidráulicas;
- 3 camionetes;
- 4 motocicletas;
- 4 motores de grande porte e 4 de pequeno porte;
- 19 barracos que funcionavam como base de apoio do acampamento.
Segundo a corporação, o equipamento foi destruído no próprio local porque a remoção da área era inviável. É o procedimento adotado em garimpos de difícil acesso: uma escavadeira apenas retirada de operação volta a cavar em poucos dias se continuar inteira, e levá-la de volta exige estrada ou balsa que, em boa parte da Terra Indígena Kayapó, não existe.
O número total de veículos é o ponto em que os relatos divergem. O texto distribuído pelo governo e a reportagem do jornal O Liberal descrevem o mesmo conjunto item por item — três camionetes e quatro motocicletas —, mas o jornal menciona, na abertura, um total menor do que a própria lista soma. A contagem por item é a que vem do balanço oficial.
Um trabalhador ferido, deixado para trás
A equipe encontrou no acampamento um trabalhador ferido, sem condições de sair sozinho. De acordo com a PF, as outras pessoas que estavam no local fugiram quando a operação chegou e o abandonaram. Ele recebeu atendimento de emergência, foi levado pelos policiais a uma unidade de saúde e foi orientado sobre como buscar seus direitos.
A PF registrou que ele pode ter trabalhado em condições degradantes — uma avaliação preliminar, que não equivale, por ora, a uma caracterização formal de trabalho análogo à escravidão.
O que a operação ainda não respondeu
Nem a Polícia Federal nem a Funai informaram prisões, o valor estimado dos equipamentos inutilizados, a extensão da área degradada pelo garimpo ou quem financiava a estrutura montada ali. São justamente os dados que separam a destruição de maquinário da responsabilização de quem bancou a operação — e eles costumam aparecer semanas depois, no inquérito, quando aparecem.
A Terra Indígena Kayapó é uma das maiores do país e está entre as mais pressionadas pelo garimpo de ouro na Amazônia Oriental, uma frente que avança pelo sul do Pará desde a década de 1980.
Com informações da Agência Gov, da Polícia Federal e do jornal O Liberal.




