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Brasil

Governo libera a pesca na foz do Rio Doce dez anos depois do rompimento da barragem de Fundão

Portaria interministerial nº 75, de 26 de outubro, restabelece as regras da atividade numa faixa marinha de até 20 metros de profundidade entre Aracruz e Linhares, no Espírito Santo, interditada por decisão judicial desde 2016

Por Redação RecortNews
Imagem de satélite da NASA mostra a pluma de rejeitos do rompimento da barragem de Fundão alcançando o Atlântico pela foz do Rio Doce, no fim de 2015.
Imagem de satélite da NASA mostra a pluma de rejeitos do rompimento da barragem de Fundão alcançando o Atlântico pela foz do Rio Doce, no fim de 2015.Foto: Joshua Stevens/NASA Earth Observatory, com dados do Landsat (USGS)/Wikimedia Commons, domínio público

A pesca profissional e comercial está liberada outra vez na área marinha da foz do Rio Doce, no litoral norte do Espírito Santo. A decisão é dos ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e está na Portaria Interministerial nº 75, de 26 de outubro. A faixa liberada vai de Barra do Riacho, em Aracruz, até o Degredo/Ipiranguinha, em Linhares, numa área de até 20 metros de profundidade. O peixe da região pode voltar a ser vendido e consumido.

O que a Anvisa mediu

A base da decisão é uma nota técnica da Anvisa, construída sobre dados de monitoramento ambiental e da atividade pesqueira. Chumbo e mercúrio não apareceram acima dos limites máximos fixados por normas nacionais e internacionais em áreas de água doce, marinha ou de manguezal. Cobre, cromo, ferro, níquel, manganês e zinco foram detectados em níveis médios. Segundo o jornal A Gazeta, o material analisado inclui monitoramento feito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O MPA afirma que água e sedimento do Rio Doce seguem sob monitoramento contínuo no âmbito do PMQQS, sem alertas de desconformidade.

A portaria não cria regra nova

O texto restabelece o ordenamento que valia antes da interdição. Continuam valendo defeso, áreas restritas, espécies protegidas, tamanhos mínimos de captura, métodos e equipamentos permitidos e medidas de redução de fauna acompanhante. A pesca profissional exige pescador e embarcação registrados onde a lei assim determina, e a fiscalização fica com os órgãos competentes. Os pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR) não mudam.

A retomada será acompanhada por um plano de ação integrada coordenado pelo MPA e pelo MMA, com participação do Ministério da Saúde, da Anvisa e dos órgãos de gestão participativa da pesca. O plano pode ser atualizado a partir dos resultados do monitoramento, de informação técnico-científica nova e de contribuições das comunidades pesqueiras — e as regras podem ser revistas ou suspendidas a qualquer momento.

Dez anos de interdição

A barragem de Fundão, da Samarco, rompeu em 5 de novembro de 2015, em Mariana (MG), e liberou algo entre 40 milhões e 55 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro. A lama soterrou os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, matou 19 pessoas e contaminou toda a bacia do Rio Doce até a foz, no Espírito Santo.

Em 2016, a Justiça do Espírito Santo suspendeu a pesca por tempo indeterminado, atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que apontava a falta de estudos conclusivos sobre contaminação de peixes, moluscos e crustáceos. Procurado pelo g1 e citado por A Gazeta, o MPF não havia se manifestado sobre a nova portaria até a publicação daquela reportagem.

O ministério registra ainda que a liberação da pesca não substitui nem dispensa as obrigações de reparação, recuperação e monitoramento previstas no acordo judicial do rompimento.

A liberação chega a menos de uma semana do décimo aniversário do desastre, em 5 de novembro — e o teto da decisão é o próprio monitoramento: a portaria permite retomar a atividade, mas mantém abertos os mecanismos para suspendê-la de novo se os dados mudarem.

Com informações da Agência Brasil e do jornal A Gazeta.