A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu às 10h desta sexta-feira (30), na sede da B3, na Rua XV de Novembro, no centro histórico de São Paulo, o Leilão de Transmissão nº 4/2026 — o último do setor neste ano. São oito lotes em disputa, com investimento previsto de R$ 8,9 bilhões.
Os projetos estão distribuídos por sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.
O que está em jogo
Segundo a Aneel, o conjunto de lotes prevê:
- 1.866 km de novas linhas de transmissão e seccionamentos;
- 483 km de linhas já existentes cuja operação terá continuidade;
- 12.694 MVA de nova capacidade de transformação, mais 600 MVA de capacidade mantida;
- quatro compensadores síncronos.
Os prazos para concluir as obras variam de 42 a 60 meses a partir da assinatura do contrato, conforme o lote. O Ministério de Minas e Energia informa que os vencedores assinam contratos de concessão de 30 anos.
O maior projeto do certame, de R$ 4,11 bilhões, prevê 1.167 km de linhas atravessando Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. Dois lotes no Paraná somam R$ 1,46 bilhão; outro conjunto na Bahia e na Paraíba soma R$ 1,16 bilhão; um elo de 126 km entre Bahia e Goiás está estimado em R$ 317 milhões; e a subestação de Porto Velho, em Rondônia, aparece com R$ 753,2 milhões.
Empregos e contexto
O governo federal projeta 20.312 empregos diretos e indiretos durante a construção — mais de 8.200 deles ligados ao maior lote e cerca de 2.100 na obra de Porto Velho, segundo o Ministério de Minas e Energia. O ministro Alexandre Silveira associa os aportes ao crescimento econômico e à segurança do abastecimento de energia.
O ministério calcula que os investimentos contratados no setor de transmissão entre 2023 e 2026 somem cerca de R$ 69,64 bilhões — R$ 77,54 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA.
Vale separar o que é projeção do que é contrato: os números de investimento e de empregos são estimativas feitas antes dos lances. O que o leilão define de fato é quem opera cada lote e por qual receita anual permitida (RAP), e é aí que o desconto oferecido pelos vencedores costuma reduzir o valor efetivo em relação ao teto fixado pela agência. No primeiro leilão de transmissão do ano, realizado em julho, o desconto médio foi de 53,2% — o terceiro maior do segmento desde 2017 — num certame de cerca de R$ 1,8 bilhão.
Os resultados por lote só são conhecidos ao fim da sessão.
Com informações da Aneel, do Ministério de Minas e Energia, do Brasil 247, do Poder360 e do Canal Solar.




