O eleitorado brasileiro fora do país está a um passo da marca de 1 milhão. Para o primeiro turno de 4 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza 918.876 eleitores aptos a votar no exterior, distribuídos por 134 países, em 186 seções eleitorais instaladas em geral dentro de embaixadas e consulados.
Quem vota fora escolhe apenas presidente e vice-presidente. Governador, senador e deputado não entram na urna do exterior, porque o eleitor no exterior não está vinculado a nenhum estado.
Onde estão esses eleitores
A concentração é alta: cinco países respondem por mais de 60% do total.
| País | Eleitores |
|---|---|
| Estados Unidos | 265.400 |
| Portugal | 134.700 |
| Japão | 88.300 |
| Canadá | 46.400 |
| Alemanha | 41.500 |
Sozinhos, os Estados Unidos abrigam cerca de um em cada quatro eleitores brasileiros no exterior.
Um crescimento que não parou
O salto é o dado mais nítido da série. Em 2010, eram 210 mil brasileiros aptos a votar fora do país. Passaram a 354 mil em 2014 e a 697 mil em 2022. Agora são 918.876 — cerca de 32% a mais que na eleição passada, e mais de quatro vezes o número de 2010.
O ritmo diz menos sobre entusiasmo cívico do que sobre emigração: o eleitorado no exterior cresce porque a diáspora cresce, e porque o recadastramento consular ficou mais simples nas últimas duas eleições.
Quem é o eleitor de fora
O perfil traçado pelo TSE difere do eleitorado doméstico em pontos relevantes:
- mulheres são 57%, contra 43% de homens;
- 52% são solteiros, 42% casados;
- 38% têm ensino superior completo — proporção muito acima da média nacional —, e outros 13% têm superior incompleto;
- a faixa etária mais numerosa é a de 40 a 44 anos;
- 6.614 eleitores (0,72%) se declararam pessoas com deficiência.
"Queria votar, mesmo morando fora", disse à Agência Brasil Victória Moretti, de 30 anos, pós-graduanda em Ontário, no Canadá.
Se ninguém alcançar a maioria dos votos válidos em 4 de outubro, o segundo turno está marcado para 25 de outubro, e as mesmas seções do exterior são reabertas.
Com informações do Tribunal Superior Eleitoral e da Agência Brasil.




