O acordo de devolução de migrantes entre Reino Unido e França, assinado em julho de 2025 e conhecido como "um entra, um sai", chega ao fim. As tentativas de prorrogá-lo não avançaram, e o governo francês quer substituí-lo por um esquema que envolva toda a União Europeia.
Restam uma ou duas remoções antes do encerramento das operações.
O que o acordo entregou
A mecânica era simples no papel: por cada pessoa devolvida à França depois de atravessar o Canal da Mancha em barco pequeno, o Reino Unido aceitaria um solicitante de asilo vindo da França por uma rota legal.
Os números de pouco mais de um ano de vigência:
- cerca de 1.400 pessoas devolvidas à França
- £ 56 mil de custo médio por devolução
- 1.117 solicitantes de asilo recebidos pelo Reino Unido pela via legal, até o fim de junho de 2026
A ministra do Interior britânica, Shabana Mahmood, apontou o gargalo operacional. "O que foi mais difícil operacionalmente é aumentar a escala de um número muito grande de remoções toda semana para dentro do sistema francês", disse.
Travessias em queda, por outros motivos
O fim do acordo acontece num ano em que os indicadores de travessia caíram — sem que os números do próprio esquema expliquem a queda, dado o volume modesto de devoluções:
- travessias de barco pequeno no Canal da Mancha: -42% em relação ao ano anterior
- travessias irregulares nas fronteiras da União Europeia: -35% em um ano
- prisões por crime organizado ligado à imigração: +55%
É a comparação que torna o encerramento politicamente administrável para Londres: o instrumento mais caro do pacote é também o que menos pesou na estatística.
A alternativa de Paris
O Ministério do Interior francês confirmou que a saída está sendo negociada. "Estamos discutindo com os britânicos os termos da saída do acordo", informou.
A posição francesa é que o problema não se resolve bilateralmente. Um esquema europeu distribuiria entre mais países o ônus de receber quem é devolvido — exatamente o ponto que, do lado britânico, limitou a escala do arranjo atual.
Com informações do The Independent, do Ministério do Interior da França e de declarações do Home Office britânico.




