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Política

Trump rebatiza a IA de "Super Inteligência" por ordem executiva, e seis empresas assinam um acordo de segurança sem força legal

A ordem assinada em 29 de setembro de 2026 manda todo órgão federal abandonar o termo "inteligência artificial". O acordo compromete Google, OpenAI, Anthropic, Meta, xAI e Nvidia a quatro camadas de auditoria que elas mesmas comandam.

Por Redação RecortNews
O Pórtico Norte da Casa Branca, em Washington, em 2023. O acordo sobre segurança de modelos de fronteira foi assinado em uma reunião ali, em 29 de setembro de 2026.
O Pórtico Norte da Casa Branca, em Washington, em 2023. O acordo sobre segurança de modelos de fronteira foi assinado em uma reunião ali, em 29 de setembro de 2026.Foto: Harrison Keely/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

O presidente Donald Trump assinou em 29 de setembro de 2026 uma ordem executiva que determina a todo departamento e agência federal dos Estados Unidos parar de escrever "inteligência artificial" em correspondência oficial, comunicação pública e documentos de política — e escrever "super inteligência", ou SI, no lugar. Horas antes, em uma reunião na Casa Branca, seis empresas que treinam modelos de fronteira assinaram um acordo voluntário de supervisão de segurança que o presidente disse ser "moralmente vinculante".

Nenhum dos dois documentos cria obrigação que um tribunal possa cobrar. Juntos, são a declaração mais clara até agora de como este governo pretende tratar o setor que se move mais rápido no país: dando-lhe um nome e pedindo que ele se fiscalize.

O que a ordem faz, de fato

A ordem muda vocabulário, não programas. Ela manda os órgãos trocar o termo no que escrevem e encarrega o Assistant to the President for Science and Technology (assessor da Presidência para Ciência e Tecnologia) de propor uma definição federal de "super inteligência". Uma ficha informativa divulgada pela Casa Branca no mesmo dia apresenta a troca como questão de precisão, argumentando que a tecnologia deve ser descrita como algo que destrava "novas formas de criatividade humana", e não que "simplesmente imita ou automatiza a inteligência humana".

É uma mudança menor do que parece, e maior. Nenhum edital, contrato ou norma é alterado pela rebatização. Mas numa área em que o Congresso americano não aprovou lei alguma, as palavras que o Executivo usa são quase tudo o que existe — e toda norma, todo aviso de financiamento e todo documento de compra escrito daqui para frente vai carregá-las. A ficha informativa também relembra compromissos que o governo já tinha na área, incluindo mais de US$ 5 bilhões para a Genesis Mission e um plano de ação em IA com mais de 90 medidas federais.

Seis empresas, quatro camadas, nenhuma lei

O acordo foi assinado por Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia — representadas por Sundar Pichai, Dario Amodei, Mark Zuckerberg, Greg Brockman, Elon Musk e Jensen Huang. Também estavam na sala, segundo a CBS News, Satya Nadella (Microsoft), Lisa Su (AMD), Nikesh Arora (Palo Alto Networks), o assessor de IA da Casa Branca David Sacks e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.

O texto prevê quatro camadas de supervisão: controles internos que monitoram o que um modelo é capaz de fazer durante o treinamento e o uso; equipes internas designadas para responder por esses controles; parcerias com auditores externos independentes; e comitês independentes que revisam o que os auditores internos e externos reportam. As signatárias também se comprometeram a se reunir regularmente para definir padrões e compartilhar práticas. O documento deixa a porta aberta para algo mais firme, ao admitir que "com o tempo, pode fazer sentido codificar essas etapas em leis ou regulamentos".

Perguntado se o acordo obriga as empresas, Trump respondeu: "Acho que é moralmente vinculante", e acrescentou que estava vendo "um enorme autopoliciamento, e elas entendem que precisam se autopoliciar". Chamou ainda o documento de "quase uma constituição, de certo modo".

Musk foi mais direto sobre o mecanismo. "Concordamos com uma série de coisas que incluem monitoramento conjunto, comitês especiais de conselho, e de modo geral corrigir a lição de casa uns dos outros", disse.

O argumento do governo, e a objeção

O vice-presidente JD Vance resumiu o raciocínio na reunião: "A solução para alguns dos riscos da IA é vocês levarem o risco a sério, não vir ao governo pedir um regime regulatório."

O senador Mark Warner, do Partido Democrata, tirou a conclusão oposta dos mesmos fatos. "As empresas que constroem os sistemas de IA mais poderosos estão nos avisando que a tecnologia avança mais rápido que nossas salvaguardas", disse. "A resposta do presidente? Trocar o nome e dizer às empresas que a desenvolvem que se regulem sozinhas."

A distância entre essas duas leituras é toda a política americana de IA neste momento. As empresas que estavam na sala já descreveram publicamente riscos que dizem não conseguir medir por completo; o acordo pede que as mesmas empresas construam os instrumentos de medição, contratem os auditores e componham os comitês que revisam o resultado. O que as quatro camadas criam, isso sim, é um rastro em papel — avaliações internas, auditorias externas, atas de conselho — que um futuro Congresso ou regulador pode intimar, ainda que hoje ninguém possa exigi-lo.

Com informações da Casa Branca, da Nextgov/FCW e da CBS News.