O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou no sábado (26) a proposta iraniana de reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, apresentada um dia antes pelo chanceler Abbas Araghchi na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. "Esse acordo não seria aceitável", disse Trump, que afirmou na mesma declaração que os Estados Unidos hoje têm "controle total" da passagem.
A recusa mantém fechado, pelo sétimo mês, o corredor marítimo por onde passava cerca de um quarto do petróleo transportado por mar no mundo e um quinto do gás natural liquefeito. O estreito foi interditado em 28 de fevereiro, depois que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques aéreos contra o Irã; em 4 de março, Teerã declarou controle integral da via. O bloqueio naval americano aos portos iranianos começou em 13 de abril.
O que Teerã pediu
O plano que Araghchi levou à ONU condiciona a reabertura a um conjunto de medidas, na seguinte ordem:
- cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano;
- suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos;
- revogação das sanções ao petróleo iraniano e liberação dos ativos congelados no exterior;
- abertura do estreito ao fim do sétimo dia;
- início das negociações sobre o programa nuclear somente depois disso.
"Se certas condições forem atendidas, o Estreito de Ormuz estará aberto ao fim do sétimo dia", disse Araghchi, segundo a Al Jazeera.
A sequência é o ponto central da disputa. O memorando assinado em Islamabad em 17 de junho, que não se sustentou, tratava o programa nuclear e a reabertura do estreito como partes de um mesmo pacote. A proposta de agora inverte a ordem: o Irã quer primeiro o alívio econômico e o fim do bloqueio, e só então a mesa nuclear. Washington insiste que o tema nuclear entre desde o começo.
A resposta iraniana
Teerã disse aguardar uma posição definitiva dos Estados Unidos antes de retirar a oferta. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou à Al Jazeera que "não temos mais confiança em Washington depois dos ataques e das sanções", embora tenha mantido que o país aceita "diálogo e diplomacia".
Catar e Paquistão seguem como mediadores. Segundo a Al Jazeera, a diplomacia catariana viabilizou contatos indiretos entre autoridades iranianas e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner durante a semana da Assembleia-Geral. O secretário de Estado, Marco Rubio, pediu cautela e disse que as conversas não devem ser descritas como avanço.
Por que a data importa
A recusa chega em um momento de pressão dupla. De um lado, o fechamento do estreito encareceu combustíveis no mundo inteiro — o barril de petróleo superou US$ 100 em março, pela primeira vez em quatro anos, e chegou a bater US$ 126 no pico da crise. De outro, o Wall Street Journal informou que Trump disse a assessores, em conversa privada, que espera retomar os bombardeios contra o Irã depois das eleições legislativas americanas de novembro.
Araghchi deve permanecer em Nova York até quarta-feira, segundo o Times of Israel.
No mesmo sábado, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou novas sanções contra companhias aéreas e bancos iranianos. Turquia e Omã suspenderam os voos da Mahan Air, e os Emirados Árabes Unidos interromperam a operação de todas as aéreas iranianas em seu território.
Com informações de Al Jazeera, Euronews, Newsweek e Times of Israel.




