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Política

UE destrava 6,6 bilhões de euros para a defesa da Ucrânia, travados por veto húngaro desde 2023

Do total, 4,7 bilhões reembolsam países que já enviaram equipamento, 1 bilhão vai a compras conjuntas e 900 milhões à missão de treinamento militar

Por Redação RecortNews
Retrato oficial de Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e vice-presidente da Comissão Europeia, feito em novembro de 2024.
Retrato oficial de Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e vice-presidente da Comissão Europeia, feito em novembro de 2024.Foto: Aurore Martignoni/União Europeia, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Os Estados-membros da União Europeia chegaram a acordo na sexta-feira (25) sobre as condições para liberar 6,6 bilhões de euros do Fundo Europeu de Apoio à Paz (FEAP) destinados à Ucrânia — verba que estava congelada havia mais de três anos por um veto da Hungria.

A alta representante da União para Assuntos Externos, Kaja Kallas, resumiu a decisão: "É uma boa notícia para a Ucrânia e uma má notícia para a Rússia." Segundo ela, "os ataques híbridos de Moscou tentam intimidar a Europa a reduzir seu apoio à Ucrânia. A Europa está fazendo o oposto."

Como o dinheiro se divide

O acordo reparte o valor em três faixas:

  • 4,7 bilhões de euros em reembolso aos países que já entregaram armamento e equipamento à Ucrânia por conta própria;
  • 1 bilhão de euros para compras conjuntas de equipamento militar;
  • 900 milhões de euros para a missão de assistência militar da União Europeia, que já treinou mais de 95 mil soldados ucranianos.

Parte dos governos deve repassar diretamente a Kiev o valor a que tem direito no reembolso, em vez de retê-lo, informou Kallas.

Por que estava travado

O bloqueio começou em maio de 2023, quando o então primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vetou a liberação depois de a Ucrânia incluir o OTP Bank — o maior banco comercial da Hungria — em sua lista de "patrocinadores internacionais da guerra". Kiev encerrou a lista em 2024, mas Budapeste manteve o veto.

A trava caiu com a mudança de governo em Budapeste. Orbán foi derrotado na eleição parlamentar de 12 de abril deste ano, encerrando 16 anos no poder, e Péter Magyar assumiu como primeiro-ministro.

O Fundo Europeu de Apoio à Paz é um mecanismo fora do orçamento comunitário, financiado por contribuições anuais dos Estados-membros. Desde fevereiro de 2022, o bloco já mobilizou 6,1 bilhões de euros por esse canal; a elevação do teto em 5 bilhões, aprovada em março de 2024, levou o total comprometido a 11,1 bilhões.

O que falta

A liberação efetiva ainda depende da adoção formal dos atos legais correspondentes. O calendário importa: a Ucrânia enfrenta um buraco de cerca de US$ 27 bilhões no orçamento de defesa, que ameaça entregas de drones previstas para o início de 2027. O presidente Volodymyr Zelensky tem dito que a solução precisa sair entre outubro e novembro.

Com informações de Euronews e Eunews.