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Política

Vučić renuncia à Presidência da Sérvia e vai disputar o cargo de primeiro-ministro em 25 de outubro

Ana Brnabić assume como presidente interina. Impedido pela Constituição de buscar um terceiro mandato, Vučić deixa o cargo oito meses antes do prazo e encabeça a lista do seu partido na eleição parlamentar antecipada.

Por Redação RecortNews
Aleksandar Vučić no Palácio da Sérvia, em Belgrado, em julho de 2024.
Aleksandar Vučić no Palácio da Sérvia, em Belgrado, em julho de 2024.Foto: Oliver Bunic/Comissão Europeia, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Aleksandar Vučić anunciou na noite de domingo (27), no prédio da Presidência, em Belgrado, que deixa o cargo de presidente da Sérvia. "Renuncio à função de presidente da República", disse. "Esta noite é uma ocasião muito especial para mim, minha última noite neste belo edifício."

A saída interrompe um mandato que iria até maio de 2027 e encerra doze anos em que Vučić ocupou, alternadamente, os dois cargos mais fortes do país — primeiro-ministro e presidente. Seu partido, o Progressista Sérvio (SNS), está no poder há catorze anos.

Quase dois anos de protestos

O ciclo de manifestações que levou à renúncia começou em 1º de novembro de 2024, quando a marquise de concreto da estação ferroviária de Novi Sad, recém-reformada, desabou e matou 16 pessoas. O acidente virou o símbolo de uma cobrança mais ampla — obra pública malfeita, contrato sem transparência, ninguém responsabilizado — e as ruas foram ocupadas por um movimento conduzido por estudantes universitários, que se manteve ativo por quase dois anos.

Quem assume e o que vem agora

A Presidência passa a Ana Brnabić, ex-primeira-ministra e presidente do Parlamento que deixa o cargo, na condição de presidente interina até a eleição do titular. Pela Constituição sérvia, o primeiro turno da eleição presidencial precisa ocorrer em até 90 dias — ou seja, ainda em 2026.

Antes disso vem a urna que interessa a Vučić: a eleição parlamentar antecipada está marcada para 25 de outubro, para os 250 assentos da Assembleia Nacional. É por essa lista, a do SNS, que ele vai concorrer, com o objetivo declarado de assumir o gabinete de primeiro-ministro. A Constituição o impedia de tentar um terceiro mandato presidencial.

A oposição chega organizada

Do outro lado está uma lista nascida do próprio movimento das ruas, com 250 candidatos — professores universitários, docentes da educação básica, atletas e outros nomes sem carreira partidária —, apoiada pelo Partido Democrático e por outras siglas da oposição pró-União Europeia. Análises citadas pela Euronews indicam disputa apertada entre o SNS e essa frente.

Nas horas que antecederam o anúncio, em entrevista à CNN, Vučić disse que reconheceria o resultado e cumprimentaria os adversários na mesma noite, caso a oposição vencesse.

Um último ato: 49 perdões

Ainda no exercício do cargo, Vučić concedeu perdão a 49 pessoas. Vinte e três delas haviam sido condenadas em processos ligados aos protestos.

Com informações de Al Jazeera e Euronews.