Aleksandar Vučić anunciou na noite de domingo (27), no prédio da Presidência, em Belgrado, que deixa o cargo de presidente da Sérvia. "Renuncio à função de presidente da República", disse. "Esta noite é uma ocasião muito especial para mim, minha última noite neste belo edifício."
A saída interrompe um mandato que iria até maio de 2027 e encerra doze anos em que Vučić ocupou, alternadamente, os dois cargos mais fortes do país — primeiro-ministro e presidente. Seu partido, o Progressista Sérvio (SNS), está no poder há catorze anos.
Quase dois anos de protestos
O ciclo de manifestações que levou à renúncia começou em 1º de novembro de 2024, quando a marquise de concreto da estação ferroviária de Novi Sad, recém-reformada, desabou e matou 16 pessoas. O acidente virou o símbolo de uma cobrança mais ampla — obra pública malfeita, contrato sem transparência, ninguém responsabilizado — e as ruas foram ocupadas por um movimento conduzido por estudantes universitários, que se manteve ativo por quase dois anos.
Quem assume e o que vem agora
A Presidência passa a Ana Brnabić, ex-primeira-ministra e presidente do Parlamento que deixa o cargo, na condição de presidente interina até a eleição do titular. Pela Constituição sérvia, o primeiro turno da eleição presidencial precisa ocorrer em até 90 dias — ou seja, ainda em 2026.
Antes disso vem a urna que interessa a Vučić: a eleição parlamentar antecipada está marcada para 25 de outubro, para os 250 assentos da Assembleia Nacional. É por essa lista, a do SNS, que ele vai concorrer, com o objetivo declarado de assumir o gabinete de primeiro-ministro. A Constituição o impedia de tentar um terceiro mandato presidencial.
A oposição chega organizada
Do outro lado está uma lista nascida do próprio movimento das ruas, com 250 candidatos — professores universitários, docentes da educação básica, atletas e outros nomes sem carreira partidária —, apoiada pelo Partido Democrático e por outras siglas da oposição pró-União Europeia. Análises citadas pela Euronews indicam disputa apertada entre o SNS e essa frente.
Nas horas que antecederam o anúncio, em entrevista à CNN, Vučić disse que reconheceria o resultado e cumprimentaria os adversários na mesma noite, caso a oposição vencesse.
Um último ato: 49 perdões
Ainda no exercício do cargo, Vučić concedeu perdão a 49 pessoas. Vinte e três delas haviam sido condenadas em processos ligados aos protestos.
Com informações de Al Jazeera e Euronews.




