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Cultura

A 35ª Marcha do Orgulho percorre Buenos Aires sem a Plaza de Mayo e cobra uma Lei Integral Trans

Os carros alegóricos saíram às 16h pela Avenida de Mayo em direção ao Congresso; a prefeitura havia proposto adiar a data para 21 de novembro por causa da visita de Leão XIV, e a organização recusou.

Por Redação RecortNews
Uma edição anterior da Marcha do Orgulho em Buenos Aires, em novembro de 2024.
Uma edição anterior da Marcha do Orgulho em Buenos Aires, em novembro de 2024.Foto: Madamebiblio/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A 35ª Marcha do Orgulho LGBTIQ+ saiu às ruas da Cidade de Buenos Aires neste sábado, 7 de novembro de 2026, com atos replicados em outras províncias argentinas. A palavra de ordem escolhida pela Comisión Organizadora de la Marcha del Orgullo (COMO, a comissão organizadora da marcha) foi "Quando o ódio avança, o orgulho nas ruas é resistência".

O dia começou às 10h, com uma feira de pequenos negócios na esquina de Lima e Avenida de Mayo — cerca de 450 bancas, segundo a organização — e a primeira Feira do Livro LGBTIQ+, montada ao longo das ruas Lima e Cerrito. Os carros alegóricos começaram a se mover às 16h pela Avenida de Mayo em direção ao Congresso, onde as colunas deveriam chegar por volta das 18h para a leitura de um documento. A cantora María Becerra encerrou o palco principal, em frente ao Parlamento.

Um trajeto mais curto, sem a Plaza de Mayo

O percurso deste ano foi mais curto que o habitual e deixou a Plaza de Mayo fora do trajeto. A mudança é consequência da visita do papa Leão XIV à Argentina, que começa no domingo, 8 de novembro, e vai até quarta-feira, 11: o governo da cidade impôs restrições a atos públicos por razões de segurança na janela de 6 a 13 de novembro, e os organizadores descreveram a área como "estéril" nesses dias.

A prefeitura havia proposto, além disso, adiar a marcha para 21 de novembro. A COMO rejeitou a mudança e manteve a data original. Desde 1997 a mobilização acontece no primeiro sábado de novembro, em lembrança da fundação, em 1967, do Nuestro Mundo, considerado o primeiro coletivo homossexual do país, segundo a agência EFE.

As reivindicações

A pauta levada ao Congresso concentra pedidos legislativos:

  • a aprovação de uma Ley Integral Trans (lei integral trans);
  • uma nova lei antidiscriminação;
  • o projeto "Reconocer es Reparar" ("reconhecer é reparar"), que propõe pensão e assistência para travestis e mulheres trans idosas;
  • a declaração de emergência em saúde sexual;
  • a revogação do DNU 62/2025, decreto que restringe o acesso de menores de idade a determinados tratamentos ligados à identidade de gênero.

A isso se somam a separação entre Igreja e Estado, a defesa da educação pública e dos programas de saúde sexual e uma referência aos 50 anos do golpe de 1976, sob a bandeira de memória, verdade e justiça. O documento inclui críticas às políticas de ajuste e exclusão do governo de Javier Milei.

A violência contra pessoas trans no centro

A edição deste ano ficou marcada pela indignação com o ataque que a imprensa argentina chamou de "cacería de travas" ("caçada a travestis"): no fim de semana anterior, um grupo de ciclistas agrediu trabalhadoras sexuais trans nos Bosques de Palermo, em Buenos Aires. Entre os gritos ouvidos na coluna havia pedidos de "basta de transfobia" e de justiça pelas agressões.

A organização também montou postos de testagem rápida e gratuita de HIV, com a fundação AHF, e colocou cerca de 200 pessoas como primeiros atendentes ao longo do trajeto. Houve dois palcos: um em Lima e Avenida de Mayo e outro em frente ao Congresso, onde se concentraram as últimas atrações musicais.

Com informações de EFE, Infobae, La Nación e El Argentino.