O papa Leão XIV pousou nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, no Aeroporto Internacional de Carrasco, em Montevidéu, por volta das 16h30 no horário local, depois de um voo de cerca de treze horas e meia desde Roma. É o segundo papa a visitar o Uruguai e o primeiro em 38 anos: o anterior foi João Paulo II, que esteve no país em 1987 e 1988.
Quem o recebeu ao pé do avião foi o presidente Yamandú Orsi, acompanhado pelo chanceler Mario Lubetkin, pelo intendente de Canelones, Francisco Legnani, pelo embaixador uruguaio no Vaticano, Juan Raúl Ferreira, e pelo cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu. No palco tocaram os hinos uruguaio e pontifício, executados pelo Coro Nacional del Sodre, pela Orquesta Nacional Juvenil e pelos coros nacionais juvenil e de crianças.
O primeiro discurso: convivência, saúde e energia
A cerimônia oficial de boas-vindas aconteceu na Plaza Independencia, a praça central de Montevidéu, onde as autoridades esperavam entre 60 mil e 80 mil pessoas, com bloqueios de trânsito desde as 8h.
No primeiro discurso no país, o papa afirmou que "a convivência faz parte da história do Uruguai" e celebrou a vigência democrática do país, que recebe o pontífice como um Estado de tradição laica — o mais secular da região.
Leão XIV pediu que se garanta o acesso à saúde e se deteve na saúde mental: advertiu que "a solidão, a angústia e a perda de esperança podem chegar a ser tão profundas" que levem uma pessoa a deixar de viver, e destacou a necessidade de acolhimento familiar, comunitário e sanitário. O Uruguai tem uma das maiores taxas de suicídio da América do Sul.
Também reafirmou a doutrina católica contrária ao aborto, ao dizer que "quem ainda não nasceu já pertence à vida humana e ao futuro de seu povo" — num país onde a interrupção voluntária da gravidez é legal desde 2012.
Houve ainda um elogio concreto: destacou que a matriz energética uruguaia "se apoia quase inteiramente em fontes renováveis" e qualificou o resultado como "um resultado notável que exigiu decisões sustentadas durante anos".
Orsi, por sua vez, disse que "é uma honra recebê-lo nesta região do mundo, que é um dos poucos cantos do mundo que não tem guerras", e havia escrito antes que o Uruguai recebe o papa "a partir do que somos: um país de tradição laica, com instituições democráticas sólidas".
A agenda, dia a dia
Depois do ato, a agenda de sexta seguiu com uma reunião privada com Orsi às 18h15 no Edificio José Artigas, uma visita ao Cabildo às 19h e as Vésperas na Catedral Metropolitana.
No sábado, 7, o papa celebra missa às 10h no Parque París Londres, em Paysandú, cidade na fronteira com a Argentina — a província de Entre Ríos reforçou os controles nas passagens. De volta a Montevidéu, estão previstos um encontro na paróquia Nuestra Señora de Guadalupe, em Casavalle, às 17h, um encontro com o mundo educacional na Universidad Católica às 18h e uma vigília de oração no Estadio Centenario às 19h.
No domingo, 8, visita Florida, onde está o santuário da Virgen de los Treinta y Tres, padroeira do país, e parte para Buenos Aires às 15h30, com chegada prevista ao Aeroparque Jorge Newbery às 16h30. Na segunda, 9, celebra missa no Monumento de los Españoles, em Palermo, precedida por um trajeto de cerca de 2,3 quilômetros em papamóvel pela avenida del Libertador.
A viagem termina no Peru, entre 11 e 17 de novembro, com Lima como base e uma escala em Chiclayo, no departamento de Lambayeque, onde o pontífice foi missionário e bispo por cerca de duas décadas.
Uma viagem que esteve em dúvida
O périplo de doze dias é a primeira grande viagem de Leão XIV depois de uma cirurgia por um tumor pulmonar, semanas antes da partida. A Igreja uruguaia chegou a avaliar adiar a visita para depois de janeiro, mas a agenda não foi alterada.
Com informações de Infobae, la diaria, Semana, El Litoral, Ámbito e El Argentino Diario.




