O papa Leão XIV celebrou a primeira missa de sua viagem apostólica pela América do Sul no Parque París Londres, nos arredores de Paysandú, a segunda cidade do Uruguai. Foi na manhã de sábado, 7 de novembro de 2026, com cerca de 40 mil pessoas no local, segundo a estimativa publicada pelo jornal argentino La Nación.
A agenda do dia começou cedo. O pontífice, de 71 anos, voou do Aeropuerto Internacional de Carrasco (aeroporto internacional de Montevidéu) depois das 8h, em um Embraer da Fuerza Aérea Uruguaya (Força Aérea Uruguaia), e chegou a Paysandú pouco depois das 9h. O tempo estava nublado, frio e com vento; Leão XIV chegou ao parque no papamóvel, de sobretudo branco, e foi recebido com aplausos.
Uma ponte, um palmar e um mate
A homilia se organizou em torno de três imagens da região. A primeira foi a ponte, em referência ao Puente Internacional General Artigas (ponte internacional General Artigas), que liga Paysandú a Colón, na província argentina de Entre Ríos, sobre o rio Uruguai. "Sejam pontes, para que muitos se encontrem com Jesus", pediu o papa, e acrescentou: "Como é importante ser construtor de pontes!". Daí tirou também uma advertência sobre a necessidade de alicerces firmes para não ser arrastado por "doutrinas estranhas".
A segunda imagem foi o palmar, cujas raízes profundas e crescimento em conjunto ele usou para descrever uma Igreja enraizada e unida, sustentada pela Palavra, pelos sacramentos, pela oração e pela caridade. A terceira foi o mate: "O mate é sinal de familiaridade, de amizade e de encontro", disse, associando-o ao silêncio compartilhado e à oração pessoal.
Sobre a formação dos fiéis foi explícito: "Precisamos estar bem preparados para dar razões de nossa fé". Insistiu em seguir formando crianças e jovens, acompanhar as famílias e os idosos e sustentar as obras de caridade, e afirmou que a fé deve ser transmitida "às futuras gerações com coragem criativa".
A missa do "bispo gaúcho"
A celebração foi uma missa votiva dedicada ao beato Jacinto Vera, bispo de Montevidéu, cuja imagem estava no altar e a quem o papa chamou de "obispo gaucho" (bispo gaúcho): lembrou que ele percorreu o país a cavalo três vezes para chegar até os doentes. No fim, encomendou o povo uruguaio à Virgen de los Treinta y Tres (Virgem dos Trinta e Três), patrona do país.
Entre os presentes havia muitos argentinos que cruzaram a fronteira desde Entre Ríos e Santa Fe, além de paraguaios e brasileiros, alguns com bandeiras de seus países. A volta a Montevidéu estava prevista para as 12h45.
Casavalle, a universidade e o Centenário
Para a tarde, o programa oficial previa um encontro sobre a realidade social na Parroquia Nuestra Señora de Guadalupe, no bairro Casavalle, em Montevidéu, e outro com o setor educacional na Universidad Católica del Uruguay (Universidade Católica do Uruguai). O dia deveria se encerrar às 19h com uma vigília de oração no Estádio Centenário.
Leão XIV chegou ao Uruguai na sexta-feira, 6 de novembro. É o segundo papa a visitar o país, 38 anos depois de João Paulo II. Em seu primeiro discurso, na Plaza Independencia, pediu acesso à saúde para todas as pessoas — "uma responsabilidade que interpela toda a sociedade" — cerca de três semanas depois de ter sido operado de um câncer de pulmão. Também se reuniu com o presidente Yamandú Orsi e recebeu a chave da cidade no Cabildo.
Argentina, a partir de domingo
O pontífice chega à Argentina no domingo, 8 de novembro, e fica até quarta-feira, 11, com atividades em Buenos Aires, na província de Córdoba e em Luján. Depois do trecho argentino, a viagem segue para o Peru.
A escala argentina já teve efeitos fora da agenda religiosa: o governo da Cidade de Buenos Aires impôs restrições a atos públicos por razões de segurança durante a visita, o que mudou o trajeto da Marcha do Orgulho realizada neste sábado na capital.
Com informações de Vatican News, La Nación, Infobae e Rosario3.




