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Economia

A confiança do consumidor americano cai a 81,9, o menor nível desde 2014

O índice do Conference Board recuou 6,7 pontos em setembro, abaixo da previsão de 89, e a avaliação que os americanos fazem da economia atual ficou negativa pela primeira vez desde setembro de 2024.

Por Redação RecortNews
Um consumidor examina uma embalagem de carne em um supermercado americano, em foto do Departamento de Agricultura dos EUA de 2012.
Um consumidor examina uma embalagem de carne em um supermercado americano, em foto do Departamento de Agricultura dos EUA de 2012.Foto: Stephen Ausmus/US Department of Agriculture, via Wikimedia Commons, Public domain

A confiança do consumidor americano caiu com força em setembro. O Conference Board (instituição privada americana de pesquisa econômica) informou nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, que seu índice principal recuou para 81,9, ante 88,6 revisados em agosto — o menor nível desde 2014.

A queda de 6,7 pontos foi bem pior do que o mercado esperava. As projeções reunidas antes da divulgação apontavam para algo perto de 89, segundo o Yahoo Finance.

As duas metades do índice

Os dois componentes caíram, e o movimento mais expressivo veio justamente da metade que mede como as pessoas enxergam a economia neste momento.

O índice de situação atual, construído a partir da avaliação das condições correntes de negócios e de emprego, cedeu 7,9 pontos, para 109,3. "A avaliação dos consumidores sobre as condições atuais dos negócios ficou negativa pela primeira vez desde setembro de 2024", disse Dana M. Peterson, economista-chefe do Conference Board.

O índice de expectativas, que olha seis meses à frente, caiu 5,9 pontos, para 63,6. O Conference Board trata há muito tempo leituras abaixo de 80 nesse indicador como sinal de recessão, e ele já acumula algum tempo abaixo dessa linha.

O diferencial do mercado de trabalho — a parcela de entrevistados que diz haver "muitas" vagas menos a que diz ser "difícil" encontrar emprego — encolheu 2,5 pontos percentuais, para 1,7. É perto do ponto em que as duas respostas se anulam.

Preços dominam as respostas abertas

Os consumidores também ficaram mais pessimistas com os preços. A expectativa média de inflação para os próximos 12 meses subiu 0,3 ponto, para 6,1%, com mediana de 5,1%.

"As menções a preços, ao custo alto de bens e serviços e, em particular, ao petróleo e à gasolina atingiram novos recordes", afirmou Peterson, ao descrever os comentários que os entrevistados escrevem por conta própria. A gasolina é a parte visível disso: o Yahoo Finance registrou uma média nacional de US$ 4,45 por galão, contra US$ 3,13 um ano antes, efeito da interrupção da oferta no Oriente Médio.

A pesquisa foi fechada em 23 de setembro, o que significa que as respostas foram coletadas nos dias em torno da decisão do Federal Reserve (o banco central americano), em 16 de setembro, de elevar a taxa básica para o intervalo de 3,75% a 4%.

O que o índice mede, e o que não mede

Pesquisas de confiança registram humor, não gasto, e os dois já se descolaram antes — as famílias americanas seguiram comprando em meio a leituras sombrias mais de uma vez desde 2021. O que torna este resultado mais difícil de descartar é qual metade se moveu. Expectativas azedam com facilidade; a avaliação daquilo que as pessoas veem diante de si, a metade da situação atual, demora mais a virar — e foi esse o componente que caiu mais.

Peterson afirmou que os consumidores esperam condições de negócios e mercado de trabalho ainda mais fracos nos próximos meses, embora continuem prevendo alta na renda das próprias famílias.

Com informações do Conference Board e do Yahoo Finance.