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Economia

A greve contra o "dieselaço" perde força na Bolívia: federações de La Paz e El Alto desistem da paralisação de segunda

O Decreto 5716 levou o litro do diesel de 9,80 para 17,95 bolivianos, alta de 83%. O governo fechou acordos de tarifa em Potosí e Sucre e aprovou um segundo decreto para renovar frotas.

Por Redação RecortNews
Rodrigo Paz Pereira, hoje presidente da Bolívia, em seu retrato oficial como senador por Tarija, em 2020.
Rodrigo Paz Pereira, hoje presidente da Bolívia, em seu retrato oficial como senador por Tarija, em 2020.Foto: Chamber of Senators/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

As duas maiores federações de motoristas do eixo La Paz–El Alto anunciaram na sexta-feira que não vão aderir à paralisação nacional de 24 horas marcada para segunda-feira, 28 de setembro, contra o fim do subsídio ao diesel — a medida com que o governo de Rodrigo Paz liberou o preço do combustível há pouco mais de uma semana.

A Federación Andina Primero de Mayo (Federação Andina Primeiro de Maio), de El Alto, foi a primeira a se descolar. "Dissemos que não vamos aderir à paralisação de 24 horas", afirmou seu dirigente, Eddy Condori, segundo o Visión 360. A Federación Departamental de Choferes 1ro de Mayo, de La Paz, seguiu o mesmo caminho: seu diretor, Edson Valdez, disse que o setor vai buscar uma mesa de negociação com o Executivo em vez de tirar os veículos de circulação.

Alta de 83% na bomba

O Decreto Supremo 5716, promulgado em 18 de setembro de 2026, eliminou o subsídio estatal ao diesel. O litro passou de 9,80 para 17,95 bolivianos — alta de 83% — e ficou atrelado à cotação internacional e ao regime cambial.

A Bolívia importa praticamente todo o diesel que consome e mais da metade da gasolina, com uma conta semanal perto de 55 milhões de dólares. É esse gasto, bancado durante anos pelo Tesouro, que o governo diz ter liberado para obra pública e benefícios sociais.

O Executivo defende a medida com a composição da frota: dos 202.182 veículos de transporte registrados, 39.880 — 19,7% — funcionam só a diesel. Outros 67.815 usam apenas gasolina, 29.290 são a gás natural veicular (GNV) e 65.197 combinam GNV e gasolina. Daí o número que os ministros repetem: 80,3% da frota não depende exclusivamente do diesel.

A conta descreve bem a frota e mal o problema. O diesel move o transporte pesado e os ônibus interprovinciais, de modo que seu preço se transfere ao custo de quase todo o resto antes de chegar à passagem urbana.

Acordos em Potosí e Sucre, e um segundo decreto

A convocação original partiu da Confederación Sindical de Choferes (confederação nacional dos motoristas), cujo dirigente Lucio Gómez havia antecipado que "na segunda não haverá transporte público no país", com alcance urbano, interprovincial, interdepartamental e internacional.

Essa unidade se rompeu em quatro dias. O transporte livre saiu na quinta à noite. As federações de transporte pesado de La Paz e Santa Cruz recusaram participar, e seu dirigente Domingo Ramos pediu, em vez disso, uma mesa técnica que facilite a importação direta de combustível. Em Potosí e Sucre, o governo fechou acordos de reajuste temporário de passagens enquanto se concluem os estudos de custo, o que desativou o protesto nessas cidades.

Na quinta-feira à noite o Executivo aprovou ainda o Decreto 5726, que autoriza a compra de veículos para o serviço público e oferece programas de conversão para GNV e de renovação de frota.

O que segue em aberto

Nem todo o setor cedeu. Nelson Carrillo, primeiro secretário da Federación de Transporte Pesado (federação do transporte de carga), ameaçou bloqueios na fronteira caso o 5716 não seja revogado, e acusou os dirigentes que negociaram de terem sido "comprados pelo governo" com acordos e ofertas de representação.

O diálogo formal vem de antes. Em 21 de setembro, os ministros de Obras Públicas, Mauricio Zamora; de Governo, Marco Antonio Oviedo; e do Trabalho, Williams Bascopé, reuniram-se em La Paz com dirigentes nacionais do transporte livre e declararam um intervalo nas negociações, com o compromisso de instalar mesas técnicas. O dirigente de La Paz Limbert Tancara resumiu então a condição do setor: "Se a proposta do governo não convencer o transporte livre, infelizmente vamos acatar o que disserem nossos companheiros de base: entrar em medidas de pressão."

Tudo isso ocorre sob um estado de exceção em vigor há três meses, que proíbe greves e autoriza o emprego de militares nas estradas.

Com informações de Infobae, Opinión (Cochabamba), Visión 360 e La Patria.