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Política

Agente do ICE atira em entregador venezuelano em Austin, e a versão do governo contradiz a do advogado

Wilber Rafael Garces Perez, de 28 anos, foi atingido no tórax por volta das 12h50 de domingo, no norte de Austin. O DHS diz que ele tinha ordem final de deportação; o advogado afirma que ele entrou legalmente e tem permissão de trabalho.

Por Redação RecortNews
Agentes do ICE Enforcement and Removal Operations fazem uma prisão durante abordagem de veículo em Manassas, na Virgínia, em abril de 2022. Foto de arquivo; não é o caso de Austin.
Agentes do ICE Enforcement and Removal Operations fazem uma prisão durante abordagem de veículo em Manassas, na Virgínia, em abril de 2022. Foto de arquivo; não é o caso de Austin.Foto: U.S. Immigration and Customs Enforcement, domínio público

Um agente federal de imigração baleou e feriu um venezuelano de 28 anos durante a abordagem de um veículo no norte de Austin, na tarde de domingo, numa operação da qual a polícia local diz não ter participado e que deixou duas versões irreconciliáveis sobre quem é o ferido.

O ferido é Wilber Rafael Garces Perez, segundo seu advogado e autoridades que falaram publicamente desde o tiroteio. Ele trabalhava como entregador do DoorDash quando foi parado. Foi atingido uma vez no tórax, levado ao Dell Seton Medical Center e descrito na segunda-feira como em estado grave, porém estável — e, segundo o Department of Homeland Security (DHS, o ministério da segurança interna dos Estados Unidos), sob custódia federal à espera da deportação.

O que se sabe da sequência

O tiroteio aconteceu por volta das 12h50 de domingo, 20 de setembro, no horário central dos EUA, perto do cruzamento da Anderson Square com a Research Boulevard. O serviço de emergência de Austin-Travis County foi avisado seis minutos depois, às 12h56.

A chefe de polícia de Austin, Lisa Davis, disse que o episódio "pode ter envolvido uma perseguição a pé", ressalvando que a informação era preliminar. Ela foi explícita num ponto: a polícia local não participou do tiroteio. Policiais rodoviários estaduais do Texas chegaram a atender, depois que o ICE (Immigration and Customs Enforcement, a agência federal de imigração) pediu ajuda para perseguir um Toyota Corolla azul.

O agente que atirou não foi identificado. O carro que Garces Perez dirigia ficou com pelo menos duas marcas de tiro no lado do passageiro.

O vereador Mike Siegel, que mora a poucas quadras do local, deu uma versão bem mais específica: afirmou que um agente do ICE bateu no carro do homem, desceu do veículo federal e atirou ao menos cinco vezes. Nenhuma agência confirmou essa versão. O advogado de Garces Perez diz que ele conseguiu ligar para a mulher de dentro do carro, gritando de dor.

Duas versões do mesmo homem

A disputa não é só sobre o tiroteio. É sobre quem foi abordado.

Um porta-voz do DHS disse que Garces Perez "entrou ilegalmente no nosso país sob o governo Biden" e que havia contra ele uma ordem final de deportação. O advogado sustenta o contrário: que ele entrou legalmente nos Estados Unidos, tem permissão de trabalho válida e é casado com uma mulher com situação regular.

As duas afirmações não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e nenhuma foi confrontada com um documento tornado público. É essa lacuna que as cobranças por imagens miram.

Quem investiga quem

O braço investigativo do DHS conduz a apuração — ou seja, o mesmo departamento cujo agente atirou é quem investiga o tiroteio. É esse arranjo que as autoridades locais contestam.

O deputado federal Greg Casar pediu investigação independente e a "divulgação imediata das imagens da câmera corporal, e responsabilização de qualquer agente do ICE que tenha infringido a lei", lembrando casos anteriores em que, segundo ele, a versão inicial do ICE não sobreviveu ao vídeo. A Promotoria do condado de Travis pediu para atuar ao lado da polícia municipal e ter acesso às provas federais — um pedido, não um direito, já que o agente é um servidor federal.

O prefeito Kirk Watson disse estar irritado, mas — fez questão de marcar — não surpreso, e traçou uma linha com episódios parecidos em Chicago e Minneapolis.

Ao menos o segundo caso assim no Texas neste ano. Um incidente fatal envolvendo agentes de imigração ocorreu em Houston em julho, e outro disparo foi registrado no Maine no mesmo mês. O que as autoridades locais repetem não é só a frequência, mas a ordem: primeiro a nota da agência, depois — ou nunca — as imagens.

Com informações de TIME, NPR, CBS News e CNN.