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Economia

América Latina gasta 1.518 dólares por habitante em saúde, um quarto do que gasta a OCDE

O relatório da OCDE, do BID e do Banco Mundial projeta que os maiores de 65 anos quase dobrarão, até 18,1% da população em 2050, e calcula que 32% do gasto com saúde sai direto do bolso das famílias.

Por Redação RecortNews
A sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington, em 2018. O BID assina o relatório junto com a OCDE e o Banco Mundial.
A sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington, em 2018. O BID assina o relatório junto com a OCDE e o Banco Mundial.Foto: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz)/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A América Latina e o Caribe gastaram em 2024 o equivalente a 1.518 dólares por habitante em saúde, medidos em paridade de poder de compra, contra 6.097 dólares na média dos países da OCDE. O número — pouco mais de um quarto — está na terceira edição do Panorama da Saúde: América Latina e Caribe, publicada em 28 de setembro de 2026 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Banco Mundial, que compara indicadores de 33 países da região.

O relatório descreve um sistema que recebe menos dinheiro público justamente quando a demografia começa a lhe pedir mais.

Um terço do gasto é pago pelas famílias

32% do gasto total com saúde na região sai direto do bolso das famílias, contra 20% na média da OCDE. É a parcela que não passa pelo seguro público nem pelo privado: consultas, medicamentos e procedimentos pagos no balcão — e a que mais empurra as famílias para o endividamento quando chega uma doença cara.

A região envelhece mais rápido do que contrata

A projeção demográfica é o eixo do documento. Os maiores de 65 anos quase dobrarão, até representar 18,1% da população em 2050, e os maiores de 80 passarão de 1,8% para 4,9%.

A expectativa de vida regional chegou a 74,6 anos em 2024, 2,4 anos a mais que em 2010, ainda longe dos 81,3 anos da média da OCDE. Dentro da própria região a diferença é de quase 16 anos: Chile (81,5) e Costa Rica (81,1) lideram; Haiti (65,1) e Bolívia (68,7) fecham a lista.

A força de trabalho não acompanha esse envelhecimento. A região tem 2,4 médicos e 3,9 enfermeiros ou parteiras por 1.000 habitantes, contra 3,6 e 10,3 na OCDE. A distância é muito maior na enfermagem do que na medicina — a proporção de enfermeiros é menos da metade —, e é justamente a enfermagem que sustenta o cuidado de longa duração que a pirâmide etária vai exigir.

Vinte e cinco milhões de cuidadores sem salário

O relatório dimensiona o cuidado que hoje não é pago: cerca de 25 milhões de pessoas cuidam de idosos sem remuneração, seis em cada dez são mulheres, e apenas 3 milhões o fazem como trabalho pago. Manter a proporção atual de cuidado com a população projetada exigiria 60,5 milhões de cuidadores informais em 2050.

Mortes evitáveis e doenças crônicas

A mortalidade evitável regional é de 297 mortes por 100 mil habitantes, contra 162 na OCDE. As doenças não transmissíveis concentraram 75,9% das mortes em 2023.

O dado mais incômodo é o do ritmo de melhora: entre 2010 e 2023 a mortalidade cardiovascular caiu 4% na região, enquanto na OCDE caiu 28,4%. No câncer, a queda foi de 4% contra 18%. Não é só que a região esteja pior: é que a distância está aumentando, porque os países da OCDE melhoram várias vezes mais rápido nas duas causas de morte mais frequentes.

"Gastar melhor antes de gastar mais"

Os autores não propõem apenas mais orçamento. Javier Guzmán, do BID, resumiu a recomendação em gastar melhor antes de gastar mais, e alertou que os orçamentos de saúde vão dobrar ou triplicar até 2050 em um cenário de aperto fiscal. Michele Gragnolati, do Banco Mundial, apontou a qualidade do atendimento agudo e disse que os hospitais da região registram mortalidade cardiovascular em 30 dias mais alta que a dos países da OCDE.

O relatório dedica capítulos específicos à qualidade do atendimento e às desigualdades em saúde e no acesso aos serviços, além dos trechos sobre estado de saúde, determinantes, infraestrutura, gasto e financiamento, força de trabalho e envelhecimento.

Com informações da OCDE, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Banco Mundial, da EFE, do Infobae e do Diario Libre.