A Asamblea Legislativa Plurinacional (o Congresso boliviano) aprovou na madrugada desta quinta-feira, 17 de setembro, a prorrogação por 90 dias do estado de exceção que o presidente Rodrigo Paz havia decretado em 20 de junho. A votação terminou à 01h14, com 100 votos a favor entre os 158 parlamentares presentes, acima da maioria absoluta exigida. A medida original vencia no mesmo dia.
Uma sessão tumultuada
O debate durou mais de oito horas e combinou a prestação de contas dos ministros com a votação. Não havia regimento prévio para esse formato: o limite inicial de duas falas por bancada foi abandonado, vários parlamentares estouraram o tempo e o presidente do Legislativo, Edmand Lara, precisou chamar a atenção repetidas vezes. Houve embates entre a deputada Lissa Claros, do partido Libre, e o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo.
Claros lamentou a rejeição de propostas alternativas e afirmou que a prorrogação atrapalha a agenda de reformas constitucionais que sua bancada considera prioritária.
Os argumentos do governo
O Executivo sustentou que a ameaça não desapareceu. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, disse que o governo tem informações sobre "setores radicalizados" dispostos a retomar os bloqueios. Oviedo apresentou um balanço do período:
- 22 mortos ligados aos conflitos, segundo números oficiais, nenhum atribuído a policiais ou militares;
- 12.910 operações realizadas;
- 26.917 militares em apoio à polícia;
- 43% dos domicílios endividados em consequência da crise.
A origem: sete semanas de bloqueios
O estado de exceção foi a resposta aos bloqueios de estradas de maio e junho no oeste e no centro do país, que por cerca de sete semanas cortaram o abastecimento de alimentos de cidades como La Paz e El Alto. Os protestos foram liderados pela Federação Camponesa de La Paz e pela Central Obrera Boliviana (COB, a central sindical do país), com apoio de setores ligados ao ex-presidente Evo Morales, e chegaram a exigir a renúncia de Paz.
O dirigente da COB Mario Argollo questionou a prorrogação e afirmou que a relativa estabilidade recente tira dela o fundamento legal.
Com informações de El Deber, La Patria e EFE.



