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Economia

Atividade industrial dos EUA acelera a 55,5% em outubro, com preços de insumos em alta pelo 25º mês seguido

A produção chegou a 59,0%, a maior leitura desde novembro de 2021, enquanto dois terços dos comentários enviados pelos gerentes de compras foram negativos.

Por Redação RecortNews
Fuselagens de Boeing 777X inacabadas na fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington, em setembro de 2025.
Fuselagens de Boeing 777X inacabadas na fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington, em setembro de 2025.Foto: SounderBruce/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A indústria dos Estados Unidos cresceu pelo décimo mês consecutivo em outubro, e em ritmo mais forte, segundo a pesquisa que o Institute for Supply Management (ISM, entidade que reúne os gerentes de compras americanos) divulgou em 2 de novembro. O PMI industrial ficou em 55,5%, um ponto percentual acima dos 54,5% de setembro. Qualquer leitura acima de 50% indica expansão.

O detalhe que mais interessa ao Federal Reserve (o banco central americano) está mais abaixo no relatório. O índice de preços, que acompanha quanto as fábricas pagam por matérias-primas e componentes, ficou em 75,2%. São 2,7 pontos menos que os 77,9% de setembro — mas é o 25º mês seguido em que os gerentes de compras relatam pagar mais do que no mês anterior.

Produção no maior nível em quatro anos

A produção foi o componente mais forte da pesquisa, em 59,0%, alta de 2,3 pontos no mês e a maior leitura desde novembro de 2021, quando o índice estava em 60,5%. Os novos pedidos subiram de 55,3% para 55,5%.

O emprego contou outra história: caiu 0,3 ponto, para 52,4% — ainda em expansão, mas o mais fraco entre os principais subíndices. Os estoques voltaram a crescer, a 51,4%, depois dos 48,6% de setembro, um salto de 2,8 pontos. As entregas de fornecedores, índice em que um número mais alto significa entregas mais lentas, ficaram em 59,1%, o 11º mês consecutivo de piora. A carteira de pedidos recuou 1,8 ponto, para 54,6%.

Doze setores industriais registraram crescimento em outubro. Três encolheram: impressão e serviços de apoio, produtos de papel e produtos minerais não metálicos.

Expansão sem confiança

Susan Spence, que presidiu o comitê de pesquisa industrial do ISM, observou que "a economia como um todo cresceu pelo 24º mês seguido".

O humor por trás dos números era menos confortável. O sentimento geral piorou pelo terceiro mês consecutivo: 34% dos comentários enviados pelos gerentes de compras foram positivos e 66%, negativos.

Essa distância — produção forte, gestores insatisfeitos — é o desenho de um setor que cresce dentro de custos em alta, não em queda. Os pedidos e a produção estão sendo atendidos; a conta para atendê-los continua subindo.

O que o Fed faz com isso

O Federal Open Market Committee (FOMC, o comitê de política monetária do Fed) manteve a faixa da taxa básica de juros americana entre 3,75% e 4% em 28 de outubro, por 10 votos a 2. Os dois dissidentes — a diretora Lisa D. Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth M. Hammack — queriam alta de um quarto de ponto. O comunicado do comitê descreveu a atividade econômica como em expansão forte e disse que a inflação "segue elevada".

Um índice de preços acima de 75% pelo segundo mês seguido não resolve essa discussão. O comitê volta a se reunir em 9 de dezembro, e o relatório de emprego de outubro, previsto para 6 de novembro, é o dado mais relevante que ainda falta antes disso.

Com informações do Institute for Supply Management e do Federal Reserve.