A indústria dos Estados Unidos cresceu pelo décimo mês consecutivo em outubro, e em ritmo mais forte, segundo a pesquisa que o Institute for Supply Management (ISM, entidade que reúne os gerentes de compras americanos) divulgou em 2 de novembro. O PMI industrial ficou em 55,5%, um ponto percentual acima dos 54,5% de setembro. Qualquer leitura acima de 50% indica expansão.
O detalhe que mais interessa ao Federal Reserve (o banco central americano) está mais abaixo no relatório. O índice de preços, que acompanha quanto as fábricas pagam por matérias-primas e componentes, ficou em 75,2%. São 2,7 pontos menos que os 77,9% de setembro — mas é o 25º mês seguido em que os gerentes de compras relatam pagar mais do que no mês anterior.
Produção no maior nível em quatro anos
A produção foi o componente mais forte da pesquisa, em 59,0%, alta de 2,3 pontos no mês e a maior leitura desde novembro de 2021, quando o índice estava em 60,5%. Os novos pedidos subiram de 55,3% para 55,5%.
O emprego contou outra história: caiu 0,3 ponto, para 52,4% — ainda em expansão, mas o mais fraco entre os principais subíndices. Os estoques voltaram a crescer, a 51,4%, depois dos 48,6% de setembro, um salto de 2,8 pontos. As entregas de fornecedores, índice em que um número mais alto significa entregas mais lentas, ficaram em 59,1%, o 11º mês consecutivo de piora. A carteira de pedidos recuou 1,8 ponto, para 54,6%.
Doze setores industriais registraram crescimento em outubro. Três encolheram: impressão e serviços de apoio, produtos de papel e produtos minerais não metálicos.
Expansão sem confiança
Susan Spence, que presidiu o comitê de pesquisa industrial do ISM, observou que "a economia como um todo cresceu pelo 24º mês seguido".
O humor por trás dos números era menos confortável. O sentimento geral piorou pelo terceiro mês consecutivo: 34% dos comentários enviados pelos gerentes de compras foram positivos e 66%, negativos.
Essa distância — produção forte, gestores insatisfeitos — é o desenho de um setor que cresce dentro de custos em alta, não em queda. Os pedidos e a produção estão sendo atendidos; a conta para atendê-los continua subindo.
O que o Fed faz com isso
O Federal Open Market Committee (FOMC, o comitê de política monetária do Fed) manteve a faixa da taxa básica de juros americana entre 3,75% e 4% em 28 de outubro, por 10 votos a 2. Os dois dissidentes — a diretora Lisa D. Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth M. Hammack — queriam alta de um quarto de ponto. O comunicado do comitê descreveu a atividade econômica como em expansão forte e disse que a inflação "segue elevada".
Um índice de preços acima de 75% pelo segundo mês seguido não resolve essa discussão. O comitê volta a se reunir em 9 de dezembro, e o relatório de emprego de outubro, previsto para 6 de novembro, é o dado mais relevante que ainda falta antes disso.
Com informações do Institute for Supply Management e do Federal Reserve.




