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Bachelet desiste de disputar a secretaria-geral da ONU após 11 votos contrários no Conselho de Segurança

Na terceira sondagem informal, a ex-presidente do Chile teve 1 voto de incentivo, 11 desfavoráveis e 3 abstenções; a costa-riquenha Rebeca Grynspan lidera agora com 9 incentivos

Por Redação RecortNews
Michelle Bachelet durante audiência no Palácio do Planalto, em Brasília, em julho de 2024.
Michelle Bachelet durante audiência no Palácio do Planalto, em Brasília, em julho de 2024.Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, de 74 anos, desistiu de disputar a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O anúncio foi feito no sábado (19), em um vídeo publicado na conta dela no Instagram.

"Hoje anunciei que decidi não continuar com minha candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas", disse. Bachelet afirmou que seguirá com o trabalho internacional "com a mesma determinação de sempre".

O que a sondagem mostrou

A desistência veio um dia depois da terceira sondagem informal do Conselho de Segurança, realizada na sexta-feira (18). Nesses exercícios — conhecidos como straw polls —, cada um dos 15 membros do Conselho marca se incentiva, desincentiva ou não opina sobre cada nome.

Bachelet recebeu 1 voto de incentivo, 11 desfavoráveis e 3 abstenções, segundo a Al Jazeera. É uma queda acentuada em relação às rodadas anteriores: foram 6 incentivos em julho e 2 em agosto.

A trajetória do número explica a decisão melhor do que qualquer declaração. Uma candidatura que perde apoio a cada sondagem não costuma se recuperar, porque o Conselho usa justamente essas rodadas para ir estreitando o campo antes da recomendação formal.

Quem fica na disputa

Sete candidaturas seguem na corrida, segundo a Reuters. Na sondagem de sexta-feira, a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, liderou com 9 votos de incentivo. A guianense Carolyn Rodrigues-Birkett ficou com 8.

Também continuam na disputa o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o ex-presidente do Senegal Macky Sall e a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa.

Como se escolhe o cargo

Para ser recomendado, um nome precisa de pelo menos 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança e de nenhum veto entre os cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Só depois a Assembleia Geral, com 193 países, faz a eleição, que historicamente ratifica a escolha do Conselho.

O sucessor assume no lugar de António Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos termina em 31 de dezembro de 2026.

Bachelet governou o Chile em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018) e foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022. Sua campanha havia sido construída em torno da defesa do multilateralismo e do direito internacional — pauta que, pelo placar da sexta-feira, não encontrou eco no Conselho.

Com informações da Al Jazeera e da Reuters.