A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, de 74 anos, desistiu de disputar a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O anúncio foi feito no sábado (19), em um vídeo publicado na conta dela no Instagram.
"Hoje anunciei que decidi não continuar com minha candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas", disse. Bachelet afirmou que seguirá com o trabalho internacional "com a mesma determinação de sempre".
O que a sondagem mostrou
A desistência veio um dia depois da terceira sondagem informal do Conselho de Segurança, realizada na sexta-feira (18). Nesses exercícios — conhecidos como straw polls —, cada um dos 15 membros do Conselho marca se incentiva, desincentiva ou não opina sobre cada nome.
Bachelet recebeu 1 voto de incentivo, 11 desfavoráveis e 3 abstenções, segundo a Al Jazeera. É uma queda acentuada em relação às rodadas anteriores: foram 6 incentivos em julho e 2 em agosto.
A trajetória do número explica a decisão melhor do que qualquer declaração. Uma candidatura que perde apoio a cada sondagem não costuma se recuperar, porque o Conselho usa justamente essas rodadas para ir estreitando o campo antes da recomendação formal.
Quem fica na disputa
Sete candidaturas seguem na corrida, segundo a Reuters. Na sondagem de sexta-feira, a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, liderou com 9 votos de incentivo. A guianense Carolyn Rodrigues-Birkett ficou com 8.
Também continuam na disputa o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o ex-presidente do Senegal Macky Sall e a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa.
Como se escolhe o cargo
Para ser recomendado, um nome precisa de pelo menos 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança e de nenhum veto entre os cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Só depois a Assembleia Geral, com 193 países, faz a eleição, que historicamente ratifica a escolha do Conselho.
O sucessor assume no lugar de António Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos termina em 31 de dezembro de 2026.
Bachelet governou o Chile em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018) e foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022. Sua campanha havia sido construída em torno da defesa do multilateralismo e do direito internacional — pauta que, pelo placar da sexta-feira, não encontrou eco no Conselho.
Com informações da Al Jazeera e da Reuters.



