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França tem entre 575 mil e 1,57 milhão de manifestantes por salários, e Lecornu convoca conferência social para segunda-feira

O Ministério do Interior contou 575 mil pessoas em 193 atos e registrou 448 detenções e 53 policiais e gendarmes feridos; a CGT fala em 1,573 milhão de manifestantes em 207 cidades

Por Redação RecortNews
O Hôtel de Matignon, residência oficial do primeiro-ministro francês, na rua de Varenne, em Paris, em 2017. A conferência social convocada por Sébastien Lecornu está marcada para lá em 9 de novembro.
O Hôtel de Matignon, residência oficial do primeiro-ministro francês, na rua de Varenne, em Paris, em 2017. A conferência social convocada por Sébastien Lecornu está marcada para lá em 9 de novembro.Foto: ScareCriterion12/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A França passou a quinta-feira, 5 de novembro, sob uma jornada de greve e manifestações convocada pelas centrais sindicais em torno de salários, poder de compra, emprego e financiamento dos serviços públicos. O número de pessoas nas ruas, como é habitual no país, saiu do dia com duas contas muito distantes entre si.

Duas contagens, quase um milhão de diferença

O Ministério do Interior contabilizou 575 mil manifestantes em 193 ações pelo território francês, das quais 65 mil pessoas em Paris. A CGT, central que encabeçou a convocação, divulgou às 17h30 um número quase três vezes maior: 1.573.000 manifestantes em 207 cidades.

A distância entre as duas estimativas chega perto de um milhão de pessoas — e se repete cidade por cidade. Em Paris, a central falou em 350 mil contra os 65 mil das autoridades. Em Bordeaux, foram 120 mil pela CGT e 21 mil pela prefeitura; em Toulouse, 80 mil contra 21,8 mil; em Lyon, 55 mil contra 30,5 mil. A CGT também registrou 150 mil pessoas em Marselha, 100 mil em Lille e 35 mil em Nantes e em Rennes.

Nenhuma das duas contagens é auditada por terceiros: a do governo é feita pelas prefeituras, a sindical pelos próprios organizadores dos cortejos.

A greve chegou à escola e à ferrovia

Nos locais de trabalho, os números também dependem de quem conta. A CGT estimou um ferroviário em cada três em greve e mais de 2.000 paralisações na metalurgia, no setor agroalimentar, na construção, no comércio, na química, nos transportes e nos Correios e telecomunicações.

Na educação, o sindicato SNES-FSU falou em 52% de grevistas entre as categorias que representa e em perto de mil liceus bloqueados ou fechados administrativamente, total ou parcialmente. O Ministério da Educação Nacional, em balanço provisório, apurou 15,81% de professores em greve e 12,77% do conjunto dos servidores da rede. Matignon, por sua vez, contou 81 liceus bloqueados ou fechados.

Os perímetros dessas contagens não são os mesmos — o sindicato mede apenas as categorias que representa, o ministério mede toda a rede —, o que explica parte da diferença sem desfazê-la.

Detenções, feridos e tensão em Lyon e Toulouse

O governo mobilizou 70 mil policiais e gendarmes no país. No balanço das 18h, o Ministério do Interior informou 448 detenções e 53 policiais ou gendarmes feridos, e avaliou que o desfile dos cortejos declarados havia transcorrido "globalmente bem". Não havia, àquela hora, balanço nacional consolidado de manifestantes feridos.

Houve confrontos localizados. Em Lyon, a prefeitura registrou 24 detenções e 40 feridos — 34 deles das forças de segurança e seis manifestantes —, com projéteis, morteiros de fogos de artifício e incêndios. Em Toulouse, foram 30 detenções e 18 agentes feridos, em choques nos arredores da ponte dos Catalans. Tensões também foram relatadas em Rennes, Marselha, Nantes, Bordeaux e Estrasburgo.

Matignon responde com uma conferência social

Horas depois do fim dos atos, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou uma conferência social para segunda-feira, 9 de novembro, em Matignon, com centrais sindicais e representantes patronais, centrada em salários e poder de compra.

A convocação não encerra o calendário de rua. A CGT afirmou que pretende manter a mobilização, e o SNES-FSU já chamou novo ato para 7 de novembro, seguido de outra jornada de ação no início da semana seguinte. O movimento vem de longe: começou com protestos escolares em setembro e agora se instala a menos de seis meses da eleição presidencial francesa, marcada para abril.

Um dado ajuda a medir o tamanho do dia: mesmo pela contagem oficial, a mais baixa das duas, 575 mil pessoas em 193 atos é uma mobilização que o governo não pode tratar como episódio isolado — e foi a ela, não à conta sindical, que Matignon respondeu com uma data no calendário.

Com informações do PolitiqueMatin, dos balanços do Ministério do Interior e do Ministério da Educação Nacional da França, dos números divulgados pela CGT e pelo SNES-FSU e do acompanhamento nacional do Le Monde citado na apuração. A mesma faixa de 575 mil a 1,6 milhão de manifestantes e o número de 448 detenções foram publicados também pela France 24 e pela franceinfo.