Um caça italiano a serviço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubou na madrugada de terça-feira (15) um drone que havia entrado no espaço aéreo da Lituânia. É a primeira vez que um aparelho desse tipo é abatido sobre o país báltico, que faz fronteira com a Belarus e com o enclave russo de Kaliningrado.
O drone caiu perto da vila de Pratkūnai, na região de Kaunas, a cerca de 100 quilômetros a oeste da capital, Vilnius. Segundo as autoridades lituanas, ele carregava explosivos, que foram localizados e neutralizados por equipes antibombas nos destroços.
Meia hora sobre território lituano
De acordo com os militares lituanos, o aparelho provavelmente entrou pela fronteira com a Belarus e ficou cerca de 30 minutos no espaço aéreo do país. O chefe do centro de gestão de crises disse que o drone voou pelos arredores de áreas povoadas antes de ser interceptado.
A origem ainda está sob investigação. O ministro da Defesa da Lituânia, Robertas Kaunas, afirmou que a análise dos destroços vai determinar de onde ele veio, sem descartar uma provocação russa. Seu colega italiano, Guido Crosetto, foi mais direto, segundo a Reuters: disse que os pilotos italianos abateram "uma ameaça que muito provavelmente veio da Rússia". Moscou não comentou de imediato.
Os jatos italianos atuam na Lituânia pela missão de Policiamento Aéreo do Báltico, em que países da aliança se revezam para proteger os céus de Lituânia, Letônia e Estônia, que não têm caças próprios.
Sinalizadores contra helicóptero dinamarquês
No mesmo começo de semana, uma fragata russa disparou sinalizadores contra um helicóptero da Força Aérea da Dinamarca que fazia vigilância de rotina no Mar Báltico, ao largo do porto de Gedser. O Ministério das Relações Exteriores dinamarquês classificou o episódio como "completamente inaceitável" e convocou o embaixador russo, Vladimir Barbin, que acusou o helicóptero de "ações provocativas", segundo a Associated Press.
Reação na aliança
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a Rússia está "cada vez mais imprudente" enquanto mantém a guerra contra a Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tratou o caso como parte de um padrão de "agressão e provocação", e o ministro da Defesa da Polônia, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que as ações russas ameaçam a segurança de toda a Europa, de acordo com a Al Jazeera.
Os dois episódios se somam a uma sequência de incursões de drones e incidentes militares em países vizinhos da Ucrânia, que tem levado governos europeus a alertar para o risco de a guerra transbordar para o território da Otan.
Com informações de Associated Press, NPR, Al Jazeera e Reuters (via Defense News).



