O pastor Paul Nthenge Mackenzie foi condenado a 200 anos de prisão pelo Tribunal Superior de Mombaça, no litoral do Quênia, pela morte de 191 pessoas — 190 crianças e um adulto — na floresta de Shakahola. A sentença foi lida na sexta-feira (6) pela juíza Diana Kavedza, cerca de um mês depois de a corte declarar Mackenzie e outros 28 acusados culpados.
As mortes ocorreram entre janeiro de 2021 e setembro de 2023, na subdivisão de Malindi, condado de Kilifi. Mackenzie liderava a Good News International Church, uma seita cristã de fim dos tempos que pregava que seguidores e seus filhos deveriam deixar de comer para morrer antes do fim do mundo e, assim, "encontrar Jesus".
Como a pena foi calculada
A juíza dividiu os 200 anos em duas penas somadas: 100 anos por homicídio praticado por inanição e 100 anos por homicídio direto. Os outros 28 condenados também receberam penas de prisão.
O Ministério Público havia pedido a pena de morte, sustentando que a escala, a brutalidade e as circunstâncias das mortes justificavam a punição mais severa prevista na lei queniana. A corte optou pela pena de prisão.
A defesa negou os homicídios. Mackenzie alegou que não obrigou ninguém a jejuar — versão rejeitada pelo tribunal, que considerou provado que auxiliares ameaçavam e agrediam quem resistia.
Mais de 400 mortes e duas prisões anteriores
Mackenzie foi preso em 2023, depois de uma denúncia. Semanas mais tarde, equipes começaram a retirar corpos de covas rasas e de fossas na floresta de Shakahola, no sudeste do país. Parte das vítimas, segundo as autoridades, foi enterrada ainda viva.
O número de 191 refere-se apenas às acusações levadas a julgamento neste processo. O governo queniano calcula que mais de 400 pessoas morreram no episódio como um todo — o que o coloca entre os maiores massacres associados a seitas religiosas das últimas décadas, abaixo do caso ugandês de 2000, com mais de 700 mortos, e do massacre de Jonestown, na Guiana, em 1978, com mais de 900.
Antes de 2023, Mackenzie já havia sido preso duas vezes e solto nas duas. É esse ponto, mais que a pena, que sustenta a discussão aberta no país: por que o Estado não interrompeu o grupo antes, e que tipo de fiscalização pode ser aplicada a organizações religiosas sem virar controle de culto.
Com informações da Al Jazeera e do jornal queniano The Star.




