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China e Paquistão abrem o primeiro exercício conjunto entre seus exércitos, com equipamento todo chinês

O Karakoram 2026 começou na quarta-feira em uma base em Korla, no Xinjiang, com foco em operações antiterrorismo em grande altitude; as armas e os blindados foram fornecidos pela China

Por Redação RecortNews
Blindados do Exército chinês em exercício na base militar de Korla, no Xinjiang, em agosto de 2019. A mesma cidade recebe agora o Karakoram 2026.
Blindados do Exército chinês em exercício na base militar de Korla, no Xinjiang, em agosto de 2019. A mesma cidade recebe agora o Karakoram 2026.Foto: Ministério da Defesa da Federação Russa/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Os exércitos da China e do Paquistão abriram na quarta-feira 14 o Karakoram 2026, o primeiro treinamento conjunto entre as duas forças terrestres. A cerimônia de abertura foi realizada em uma base de instrução em Korla, na Região Autônoma Uigur do Xinjiang, no noroeste chinês.

Os dois países mantêm uma relação militar antiga, com venda de armas e exercícios navais e aéreos conjuntos. A novidade aqui é o componente: até agora, os exércitos propriamente ditos nunca haviam treinado juntos.

O que está no programa

O exercício é descrito como voltado a operações antiterrorismo e de limpeza de área em terreno de grande altitude. O programa divulgado inclui treinamento em operação de veículos aéreos não tripulados, busca e tiro contra alvos em movimento, franco-atirador de longa distância, além de exercícios de comando conjunto e manobras com tropa e fogo real.

O anúncio foi feito no sábado 10 por Chen Xi, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional da China, em entrevista coletiva. Na ocasião, o ministério indicou a segunda metade de outubro como janela do exercício, sem informar duração nem o efetivo envolvido — dados que seguem não divulgados.

Todo o equipamento é chinês

O ponto que chamou atenção de analistas é a lista de material em uso: todo ele chinês. Entram fuzis Tipo 191, metralhadoras de esquadrão Tipo 201, veículos blindados de assalto Tipo 11, veículos de combate de infantaria Tipo 08, artilharia e sistemas não tripulados e antidrone. As tropas paquistanesas estão conhecendo parte desse equipamento no próprio exercício.

Ao Global Times, jornal estatal chinês, o analista Wang Yunfei afirmou que os veículos de rodas são adequados ao terreno de planalto, por serem mais rápidos em estrada e de manutenção mais simples que os de esteira. Ele avaliou que o uso exclusivo de material chinês aponta tanto para transferência de tecnologia quanto para possíveis compras futuras pelo Paquistão. O analista Zhang Jueshe, ouvido pelo mesmo jornal, disse que os dois países se complementam em contraterrorismo e sugeriu cooperação em troca de inteligência e de experiência.

É uma leitura de veículo estatal sobre um exercício do próprio país, e deve ser lida como tal. Ainda assim, o dado material — nenhuma peça paquistanesa em um exercício realizado em território chinês — é verificável e sustenta a interpretação de que o treinamento funciona também como vitrine da indústria de defesa chinesa para seu principal cliente na região.

Sem versão paquistanesa até agora

A cobertura do exercício, inclusive no Paquistão, tem se apoiado em mídia estatal chinesa — o canal China Military Bugle, o Global Times e o canal militar da CCTV. O ISPR, braço de comunicação das Forças Armadas paquistanesas, não havia divulgado comunicado próprio sobre a abertura, e nenhuma autoridade paquistanesa havia se manifestado publicamente.

A região do exercício não é neutra no contexto: o Xinjiang faz fronteira com o Paquistão pelo corredor do Caracórum, rota do Corredor Econômico China-Paquistão, projeto de infraestrutura que já foi alvo de ataques contra trabalhadores chineses no território paquistanês. A ênfase declarada em antiterrorismo em grande altitude coincide com a geografia dessa fronteira.

Com informações de Xinhua, Global Times, The Express Tribune e Agência Anadolu.