A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA, a agência federal americana de segurança rodoviária) concluiu em 28 de setembro de 2026 uma regra que reduz quanto combustível os carros e as picapes leves vendidos nos Estados Unidos terão de economizar. Pelo novo padrão, a média que a frota de cada montadora precisa alcançar até 2031 é de 34,9 milhas por galão — cerca de 14,8 km/l. A regra que ela substitui, escrita no governo Biden, fixava esse número em 50,4 milhas por galão (cerca de 21,4 km/l).
Para dar escala: a frota americana fez em média 30,1 milhas por galão em 2024. A regra antiga pedia ao setor um ganho de quase 20 milhas por galão em sete anos. A nova pede menos de cinco.
O que muda, e quando
O programa de média corporativa de eficiência — CAFE, na sigla que Washington usa — não estabelece um mínimo para cada carro. Ele fixa uma média de tudo o que a montadora vende, e é por isso que uma empresa pode continuar fabricando picapes grandes desde que venda veículos eficientes o bastante ao lado delas. Baixar a média reduz quantos veículos eficientes a empresa precisa ter no pátio para ficar em conformidade.
A NHTSA também muda a forma como os veículos são classificados para efeito desse cálculo, um ajuste que entra em vigor em 2030. Parece técnico, e é — mas a classe em que um veículo cai determina a meta contra a qual ele é medido, de modo que a reclassificação pode mexer na situação de uma montadora sem uma única alteração de engenharia.
O argumento do governo
O secretário de Transportes, Sean P. Duffy, apresentou a regra como medida de custo de vida. "Este governo está trazendo alívio para as famílias e reanimando o coração da indústria americana", disse. Sobre o padrão substituído, Duffy afirmou que o departamento encerrou o que chamou de mandato ilegal, que empurrava as montadoras a fabricar carros elétricos mais caros que as famílias americanas não queriam.
O administrador da NHTSA, Jonathan Morrison, somou um argumento de segurança ao de preço: "Carros mais novos são carros mais seguros. Ao reduzir o preço dos veículos, mais famílias americanas poderão comprar carros novos."
O departamento estima a economia em até US$ 1.300 no veículo novo médio e em US$ 138 bilhões ao longo de cinco anos.
As objeções
O contra-argumento é que o preço de etiqueta não é o preço inteiro. Um carro que queima mais combustível custa mais para rodar, e a gasolina estava em torno de US$ 4,47 o galão quando a regra saiu — patamar em que a diferença entre 35 e 50 milhas por galão aparece no orçamento mensal de uma família, e não apenas num documento regulatório.
Gina McCarthy, que dirigiu a Environmental Protection Agency (EPA, a agência ambiental americana) no governo Barack Obama, colocou a objeção em termos industriais: "Em vez de manter os EUA na fronteira da inovação (...) este governo escolheu fazer o oposto." O Sierra Club argumentou que veículos menos eficientes significam "mais gasolina queimada, mais gasto na bomba e ar mais sujo". Dave Cooke, da Union of Concerned Scientists, descreveu a decisão como um presente às montadoras e às petroleiras.
Análises da regra projetam emissão maior de gás carbônico, de material particulado e de poluentes formadores de ozônio do que sob o padrão substituído, pela razão direta de que uma frota que queima mais combustível emite mais dos três.
Onde está a indústria
As montadoras estão do lado do governo nesta. A Alliance for Automotive Innovation, principal entidade do setor, chamou a regra de "correção de rumo apropriada", que aproxima os padrões do que os americanos de fato compram. Ford, General Motors e Stellantis apoiaram a mudança.
Esse alinhamento é, em si, um resumo dos últimos dois anos no mercado automotivo americano. As fabricantes investiram pesado em capacidade elétrica na hipótese de que a regulação forçaria a transição num calendário fixo, e passaram o período desde então aparando esses planos à medida que o calendário andava na direção oposta. A regra concluída nesta semana remove quase todo o prazo que ainda restava.
Com informações de PBS NewsHour, ABC News e Democracy Now!




