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Economia

Colômbia abre conversas com o FMI: De la Espriella diz que o caixa do Estado "está no vermelho"

O déficit do governo central projetado para 2026 gira em torno de 7% do PIB e pode chegar a 9,4% em 2027 sem ajuste; a dívida pública se aproxima de 60% do produto.

Por Redação RecortNews
Abelardo de la Espriella, hoje presidente da Colômbia, em imagem divulgada durante a campanha presidencial de 2026.
Abelardo de la Espriella, hoje presidente da Colômbia, em imagem divulgada durante a campanha presidencial de 2026.Foto: Abelardo de la Espriella/Wikimedia Commons, CC0

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou no domingo, 27 de setembro de 2026, em pronunciamento na TV, que determinou ao Ministerio de Hacienda (Ministério da Fazenda) e à sua equipe econômica que abram conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de uma "saída negociada" para a crise das contas públicas.

"O saldo está no vermelho", disse o presidente, que descreveu o quadro fiscal como o mais crítico da história do país e afirmou que o Estado já não consegue cobrir ao mesmo tempo o serviço da dívida e as despesas de funcionamento. "As finanças públicas não aguentam mais", declarou.

Os números por trás do anúncio

As projeções que circulam no mercado colombiano colocam o déficit do governo central de 2026 entre 7,2% e 7,4% do PIB, com déficit primário da ordem de 3,3%. Sem medidas de correção, esses indicadores poderiam subir em 2027 para 9,4% e 4,5%, respectivamente, segundo cálculos citados pela Bloomberg Línea.

A dívida pública do país estava perto de 60% do PIB em meados de 2026, de acordo com o Portafolio, que também apontou que o terremoto de magnitude 7,4 registrado em agosto pode pressionar ainda mais as contas oficiais.

O governo estima necessidades de financiamento externo próximas de 88 bilhões de pesos colombianos (cerca de 26 bilhões de dólares) para 2027, um valor sem precedentes para a Colômbia.

O embate com a gestão anterior

De la Espriella atribuiu a deterioração à gestão de seu antecessor, Gustavo Petro, acusada por ele de endividamento excessivo e de má administração orçamentária. Citou as investigações em curso sobre entidades como a UNGRD (agência nacional colombiana de gestão de risco de desastres) e a Fiduprevisora, e afirmou que uma economia paralela alimentada por dinheiro ilícito esconde a real gravidade do quadro financeiro.

O que pode vir

Técnicos do FMI são esperados na Colômbia nesta semana para conversas preliminares, segundo a Bloomberg Línea. O presidente não detalhou qual instrumento o país vai buscar: um acordo stand-by, um serviço ampliado ou a renovação de uma linha de crédito flexível implicam condições diferentes.

Analistas do Bank of America já haviam apontado que um programa com o Fundo funcionaria como "plano B" caso o Congresso trave o ajuste, e que poderia reduzir o prêmio de risco e baratear o financiamento em troca de compromissos de disciplina fiscal. É justamente aí que a discussão volta ao Legislativo: um programa do FMI não substitui a tramitação das reformas, apenas a condiciona.

Com informações de Infobae, Portafolio e Bloomberg Línea.