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Ministério da Educação da Albânia pega fogo em protesto estudantil, e Tirana soma 39 detidos em dois dias

A polícia registrou 23 prisões na terça-feira e outras 16 na quarta; seis agentes e uma jornalista ficaram feridos, e os manifestantes pedem a renúncia do premiê Edi Rama

Por Redação RecortNews
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, em maio de 2026. Os manifestantes pedem sua renúncia.
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, em maio de 2026. Os manifestantes pedem sua renúncia.Foto: Stenbocki maja/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Manifestantes invadiram o prédio do Ministério da Educação da Albânia, em Tirana, e atearam fogo ao seu interior, segundo a polícia. A capital viveu dois dias seguidos de confronto entre estudantes e a tropa de choque, que usou gás lacrimogêneo e canhões d'água para dispersar as concentrações. Somadas, as duas jornadas deixaram 39 detidos.

A Reuters descreveu o episódio como a explosão mais violenta de uma onda de protestos que corre no país desde maio.

Dois dias, dois balanços

Na terça-feira 13, centenas de estudantes se concentraram diante do ministério. Segundo a polícia, parte dos manifestantes atirou tijolos e blocos de concreto contra o prédio e incendiou uma barricada; alguns usaram cocktails molotov, fogos de artifício e pedras contra os agentes. O balanço policial do dia foi de 23 prisões, seis policiais feridos e uma jornalista ferida.

Na quarta-feira 14, milhares voltaram à frente do ministério. Manifestantes arrancaram grades de calçada para bloquear uma rua, derrubaram lixeiras e tocaram fogo em contêineres de lixo. O prédio do ministério pegou fogo, e uma agência do Raiffeisen Bank nas proximidades também foi atingida pelas chamas. A polícia informou outras 16 detenções.

Há divergência entre as fontes sobre a contagem dos dias de mobilização: a Al Jazeera tratou a quarta-feira como o terceiro dia consecutivo de atos, enquanto a Reuters a descreveu como o segundo.

O que os estudantes pedem

Os organizadores afirmam que a mobilização trata das condições das universidades, do custo do ensino superior, da falta de apoio financeiro aos estudantes e das perspectivas de emprego depois da formação. Nos atos, a pauta se somou a um pedido direto: a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, no poder desde 2013.

"A Albânia precisa de uma revolução, uma mudança, uma derrubada completa do sistema", disse à Al Jazeera a manifestante Luljeta Kola.

O governo condena a violência

A vice-primeira-ministra Albana Kociu condenou os ataques em publicação no Facebook. Ela afirmou que o protesto é um direito legítimo, mas que não pode justificar violência nem a destruição da cidade, e pediu aos cidadãos que se afastem do vandalismo. "A violência não foi, não é e nunca será uma solução", escreveu.

De um resort a uma onda nacional

A mobilização estudantil se encaixa em um ciclo mais longo. Desde maio, Tirana registra atos quase diários — um movimento apelidado de "Revolução Flamingo", nascido da oposição a um projeto de resort em área protegida no sul do país ligado a Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump. Os manifestantes alegavam corrupção e falta de transparência no licenciamento.

Besar Likmeta, editor da Rede Balcânica de Jornalismo Investigativo (BIRN), disse à Al Jazeera que as reivindicações se ampliaram depois, passando a incluir medidas anticorrupção e oportunidades para os jovens. A Albânia é candidata à adesão à União Europeia, e o andamento das negociações tem a qualidade das instituições e o combate à corrupção entre os critérios avaliados pelo bloco.

Com informações de Al Jazeera, Reuters e Agência Anadolu.