A Autoridad del Canal de Panamá (ACP, autoridade que administra o canal) vai manter uma média de 32 navios em travessia por dia e calado máximo de 48 pés (14,63 metros) para os navios neopanamax até dezembro, depois que as chuvas de setembro devolveram alguma folga aos reservatórios que alimentam a via interoceânica.
A decisão significa adiar um sexto ajuste que já estava no calendário: o corte do calado para 47,5 pés, previsto para outubro, ficou sem efeito por ora.
Três semanas de chuva depois de quatro meses de déficit
Os primeiros 21 dias de setembro registraram chuvas acima da média histórica na bacia do canal, uma virada depois de quatro meses consecutivos de déficit associado ao atual El Niño.
O efeito aparece nos níveis: em 25 de setembro, o lago Gatún — o principal reservatório, que também abastece de água potável boa parte do país — estava em 84,64 pés, e o lago Alhajuela, em 242,92 pés.
"Se tivermos um outubro e um novembro muito bons"
A administradora da ACP, Ilya Espino de Marotta, condicionou o alívio ao que acontecer nas próximas semanas: "Se tivermos um outubro e um novembro muito bons", disse, o canal poderia evitar novas reduções de travessia e entrar na estação seca em melhores condições do que em 2023.
A referência não é casual. Durante a crise hídrica de 2023 e 2024, a ACP teve de baixar as travessias para 24 navios por dia, um limite que encareceu fretes e desviou carga para outras rotas.
O gerente de Hidrologia da autoridade, Ayax Murillo, afirmou que as medidas de conservação foram acionadas de forma antecipada e permitiram economizar cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de água por dia, com mais eficiência na eclusagem e sistemas de reciclagem.
Rio Indio, a aposta de 50 anos
Enquanto o ano em curso depende da chuva, a ACP avança na obra com que pretende tirar do canal essa dependência. O projeto do rio Indio, aprovado em 2025, prevê investimento de cerca de 1,5 bilhão de dólares em uma barragem principal e três represas auxiliares, com expectativa de segurança hídrica por 50 anos.
Para a fase de desenvolvimento do projeto, a autoridade destinou 82 milhões de dólares no ano fiscal de 2027.
A leitura de fundo é que o canal opera hoje com uma margem emprestada. As 32 travessias diárias não são a capacidade plena da via, e sim o ponto em que a ACP conseguiu estabilizar a operação sem esvaziar suas reservas: a cota se sustenta até dezembro, e o que vier depois se decide nas chuvas de outubro e novembro.
Com informações da Autoridad del Canal de Panamá, do Infobae e da Prensa Latina.




