A CPI do Crime Organizado, no Senado, aprovou nesta quarta-feira (18) requerimentos para aprofundar a investigação sobre a fraude do Banco Master — entre eles um pedido para identificar os beneficiários finais de fundos ligados ao Master e à Reag Investimentos.
Por que o beneficiário final
O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu que CVM, Banco Central, Receita Federal e Anbima identifiquem quem está no fim da cadeia de fundos exclusivos ou restritos ligados, geridos ou administrados pelas duas instituições.
"Um desafio imenso na identificação de fluxos de lavagem de dinheiro é chegar ao beneficiário final", explicou. "Hoje, múltiplas camadas de fundos obscurecem o verdadeiro destino e o verdadeiro dono do dinheiro."
O argumento é que esses fundos são usados com frequência para fins criminosos: o capital ilícito entra no mercado financeiro formal e, a cada operação aparentemente regular, se afasta mais da origem.
O que foi rejeitado
A maioria da comissão rejeitou, por seis votos a dois, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, apontado por parlamentares governistas como possível facilitador da fraude por meio de políticas de desregulamentação do mercado financeiro.
Também foi rejeitada, por seis votos a quatro, a convocação do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, como testemunha. Valdemar revelou que o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, doou R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro e também ao candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O que foi aprovado
- Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, que teria recebido do banqueiro um imóvel de R$ 450 milhões — o que, para os parlamentares, pode configurar ocultação de patrimônio.
- Executivos e sócios da Prime Aviation, com quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico. A empresa, ligada a Vorcaro, transportava aliados em voos particulares. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MG) a descreveu como "peça central" na rede de lavagem, e citou que cedeu aeronave à campanha do deputado Nikolas Ferreira por Jair Bolsonaro em 2022.
- O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques, que relatou fraude em crédito consignado com prejuízo a servidores estaduais.
A ausência
A CPI ouviria Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central afastado por suspeita de ligação com Vorcaro. Uma decisão do ministro do STF André Mendonça tornou o comparecimento facultativo, e ele não foi.
Com informações da Agência Brasil. Reportagem original de Lucas Pordeus León, publicada em 18 de março de 2026.



