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Cúpula do Brics fecha declaração por reforma da governança global

Documento final defende reforma da ONU, expansão do Novo Banco de Desenvolvimento e pagamentos em moedas locais

Por Redação RecortNews
Foto oficial dos líderes da 18ª Cúpula do Brics no Bharat Mandapam, em Nova Délhi, em 12 de setembro de 2026
Foto oficial dos líderes da 18ª Cúpula do Brics no Bharat Mandapam, em Nova Délhi, em 12 de setembro de 2026Foto: Gabinete do Primeiro-Ministro da Índia/Wikimedia Commons, GODL-India

O Brics encerrou sua 18ª cúpula, em Nova Délhi, com uma declaração final que coloca a reforma da governança global no centro da agenda do bloco. O documento defende instituições internacionais mais representativas e pede espaço maior para os países em desenvolvimento nas decisões que os afetam.

O grupo hoje reúne onze integrantes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Somados, respondem por cerca de 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio internacional.

Reforma da ONU

O eixo mais direto da declaração é o pedido de reforma das Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança. A tese defendida pelo bloco é conhecida: o desenho atual reflete o mundo de 1945, e não a distribuição de população, economia e influência do século XXI.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou do encontro, assim como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anfitrião da cúpula, e o presidente chinês, Xi Jinping.

Banco, pagamentos e comércio

Para além do discurso institucional, o documento trata de mecanismos concretos:

  • Novo Banco de Desenvolvimento — ampliação das operações do chamado Banco do Brics, com mais empréstimos em moedas locais e um portal de compartilhamento de conhecimento entre os países-membros.
  • Sistemas de pagamento — apoio a plataformas interoperáveis que tornem as transações internacionais mais rápidas e baratas, também em moedas locais.
  • Comércio — defesa da reforma da Organização Mundial do Comércio e crítica ao protecionismo, além da criação de uma bolsa de grãos do bloco.

A ênfase em moedas locais é o ponto que mais atenção costuma atrair fora do bloco. Não se trata, no texto, de substituir o dólar, e sim de reduzir a dependência de uma única moeda para liquidar comércio entre os próprios membros.

Agenda social

A declaração também reafirma compromissos com a Agenda 2030, com a erradicação da pobreza e com o combate ao racismo, à discriminação, à xenofobia e ao discurso de ódio. Outro trecho defende maior presença de mulheres em posições de liderança internacional.


Com informações da Agência Brasil.