O Brics encerrou sua 18ª cúpula, em Nova Délhi, com uma declaração final que coloca a reforma da governança global no centro da agenda do bloco. O documento defende instituições internacionais mais representativas e pede espaço maior para os países em desenvolvimento nas decisões que os afetam.
O grupo hoje reúne onze integrantes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Somados, respondem por cerca de 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio internacional.
Reforma da ONU
O eixo mais direto da declaração é o pedido de reforma das Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança. A tese defendida pelo bloco é conhecida: o desenho atual reflete o mundo de 1945, e não a distribuição de população, economia e influência do século XXI.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou do encontro, assim como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anfitrião da cúpula, e o presidente chinês, Xi Jinping.
Banco, pagamentos e comércio
Para além do discurso institucional, o documento trata de mecanismos concretos:
- Novo Banco de Desenvolvimento — ampliação das operações do chamado Banco do Brics, com mais empréstimos em moedas locais e um portal de compartilhamento de conhecimento entre os países-membros.
- Sistemas de pagamento — apoio a plataformas interoperáveis que tornem as transações internacionais mais rápidas e baratas, também em moedas locais.
- Comércio — defesa da reforma da Organização Mundial do Comércio e crítica ao protecionismo, além da criação de uma bolsa de grãos do bloco.
A ênfase em moedas locais é o ponto que mais atenção costuma atrair fora do bloco. Não se trata, no texto, de substituir o dólar, e sim de reduzir a dependência de uma única moeda para liquidar comércio entre os próprios membros.
Agenda social
A declaração também reafirma compromissos com a Agenda 2030, com a erradicação da pobreza e com o combate ao racismo, à discriminação, à xenofobia e ao discurso de ódio. Outro trecho defende maior presença de mulheres em posições de liderança internacional.
Com informações da Agência Brasil.



