A Cámara de Diputados (Câmara dos Deputados) do Chile decidiu enviar uma nota formal de protesto ao Congresso da Argentina pelas declarações da senadora Patricia Bullrich sobre o Estreito de Magalhães. A decisão foi tomada pelos líderes de todas as bancadas, do Partido Comunista ao Partido Nacional Libertario, algo pouco comum num Congresso fragmentado.
O que Bullrich disse
Bullrich, senadora do La Libertad Avanza e ex-ministra da Segurança nos governos de Mauricio Macri e Javier Milei, afirmou que a Argentina deveria ampliar seu poder naval para exercer o "controle" do Atlântico Sul e do Estreito de Magalhães. Na mesma fala, defendeu que soberania não depende de título de propriedade, mas de presença efetiva nos territórios.
Diante da reação no Chile, a senadora pediu desculpas e disse que se confundiu: a referência, explicou, era ao canal de Beagle, e não ao estreito.
A resposta chilena
O presidente da Câmara, Jorge Alessandri (UDI), ficou encarregado de redigir a nota. Ele deverá coordená-la com a presidente do Senado, Paulina Núñez (RN), depois do recesso das Fiestas Patrias (feriados da independência chilena). Se o Senado não aderir, a Câmara enviará o texto sozinha, por meio da Cancillería (o Ministério das Relações Exteriores).
A Comissão de Defesa da Câmara também marcou para 25 de setembro uma sessão a bordo de um navio da Marinha na boca do estreito, em parte motivada pela polêmica.
Não é o primeiro episódio
As falas de Bullrich se somam a outras de autoridades argentinas nos últimos meses:
- em abril, o chefe do Serviço de Hidrografia Naval, Hernán Montero, afirmou que a boca do estreito é argentina;
- em agosto, o chefe da Força Aérea, Gustavo Valverde, incluiu Magalhães e a passagem de Drake entre as áreas onde a Argentina deve "se fazer presente". Naquela ocasião, a própria Cancillería chilena enviou nota de protesto a Buenos Aires.
A soberania do Chile sobre o Estreito de Magalhães está fixada no Tratado de Limites de 1881 e ratificada no Tratado de Paz e Amizade de 1984. Em Santiago também persiste o incômodo com um decreto argentino de 2021 que mencionava uma "exploração conjunta" do estreito; Milei o classificou como erro, mas não o corrigiu formalmente.
Com informações de Meganoticias, Infodefensa e Noticias NQN.



