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Deputados do Chile vão enviar nota de protesto ao Congresso argentino por falas de Bullrich sobre o Estreito de Magalhães

Todas as bancadas, do Partido Comunista aos libertários, apoiaram a medida; a senadora argentina falou em "controle" do estreito e depois disse que se referia ao canal de Beagle

Por Redação RecortNews
Águas do Estreito de Magalhães, no extremo sul do Chile, em 2007.
Águas do Estreito de Magalhães, no extremo sul do Chile, em 2007.Foto: Valmin/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Cámara de Diputados (Câmara dos Deputados) do Chile decidiu enviar uma nota formal de protesto ao Congresso da Argentina pelas declarações da senadora Patricia Bullrich sobre o Estreito de Magalhães. A decisão foi tomada pelos líderes de todas as bancadas, do Partido Comunista ao Partido Nacional Libertario, algo pouco comum num Congresso fragmentado.

O que Bullrich disse

Bullrich, senadora do La Libertad Avanza e ex-ministra da Segurança nos governos de Mauricio Macri e Javier Milei, afirmou que a Argentina deveria ampliar seu poder naval para exercer o "controle" do Atlântico Sul e do Estreito de Magalhães. Na mesma fala, defendeu que soberania não depende de título de propriedade, mas de presença efetiva nos territórios.

Diante da reação no Chile, a senadora pediu desculpas e disse que se confundiu: a referência, explicou, era ao canal de Beagle, e não ao estreito.

A resposta chilena

O presidente da Câmara, Jorge Alessandri (UDI), ficou encarregado de redigir a nota. Ele deverá coordená-la com a presidente do Senado, Paulina Núñez (RN), depois do recesso das Fiestas Patrias (feriados da independência chilena). Se o Senado não aderir, a Câmara enviará o texto sozinha, por meio da Cancillería (o Ministério das Relações Exteriores).

A Comissão de Defesa da Câmara também marcou para 25 de setembro uma sessão a bordo de um navio da Marinha na boca do estreito, em parte motivada pela polêmica.

Não é o primeiro episódio

As falas de Bullrich se somam a outras de autoridades argentinas nos últimos meses:

  • em abril, o chefe do Serviço de Hidrografia Naval, Hernán Montero, afirmou que a boca do estreito é argentina;
  • em agosto, o chefe da Força Aérea, Gustavo Valverde, incluiu Magalhães e a passagem de Drake entre as áreas onde a Argentina deve "se fazer presente". Naquela ocasião, a própria Cancillería chilena enviou nota de protesto a Buenos Aires.

A soberania do Chile sobre o Estreito de Magalhães está fixada no Tratado de Limites de 1881 e ratificada no Tratado de Paz e Amizade de 1984. Em Santiago também persiste o incômodo com um decreto argentino de 2021 que mencionava uma "exploração conjunta" do estreito; Milei o classificou como erro, mas não o corrigiu formalmente.

Com informações de Meganoticias, Infodefensa e Noticias NQN.