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Die Linke vence em Berlim e AfD fica em primeiro em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

Projeção da noite dá 25,5% à Die Linke na capital, contra 19,9% da CDU; no estado do nordeste, a AfD tem 37,9% e supera o SPD de Manuela Schwesig por dois pontos

Por Redação RecortNews
Elif Eralp, candidata da Die Linke, no encerramento da campanha do partido para a eleição de Berlim, diante da Prefeitura Vermelha, em 18 de setembro de 2026.
Elif Eralp, candidata da Die Linke, no encerramento da campanha do partido para a eleição de Berlim, diante da Prefeitura Vermelha, em 18 de setembro de 2026.Foto: Roy Zuo/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Alemanha votou neste domingo (20) em dois estados, e os dois resultados apontaram para lados opostos do espectro político. Em Berlim, a Die Linke terminou em primeiro lugar na disputa pelo Abgeordnetenhaus, o parlamento da capital, com o dobro da votação que tinha em 2023. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, a AfD ficou à frente do SPD da primeira-ministra estadual Manuela Schwesig.

Os números abaixo são de projeção da noite de domingo, publicada pela emissora pública ZDF a partir da apuração parcial. A contagem oficial continua.

Berlim: a Die Linke dobra de tamanho

Na capital, a projeção das 19h32 (horário local) deu 25,5% à Die Linke, contra 19,9% da CDU, 15,3% dos Verdes, 14,3% da AfD, 11,9% do SPD e 5,0% da BSW.

Comparado à eleição de 2023, é uma inversão quase completa. A CDU, que havia feito 28,2%, perdeu cerca de oito pontos. O SPD caiu de 18,4% para menos de 12%. A Die Linke, que tinha 12,2%, dobrou a votação.

Na distribuição de cadeiras projetada pela ZDF, o parlamento de 130 assentos ficaria com 36 para a Die Linke, 28 para a CDU, 22 para os Verdes, 20 para a AfD, 17 para o SPD e 7 para a BSW. São necessários 66 votos para formar maioria.

Isso deixa aritmética curta. Uma coalizão entre Die Linke, Verdes e SPD chegaria a 75 cadeiras; uma entre CDU, Verdes e SPD, a 67. A atual coalizão de CDU e SPD perde a maioria. Nenhum partido se dispõe a governar com a AfD, e a CDU descarta acordo com a Die Linke.

A candidata da Die Linke, Elif Eralp, comparou o resultado à vitória de Zohran Mamdani em Nova York: "Se um homem de esquerda pode ganhar em Nova York, então também pode em Berlim", disse. Se conseguir montar coalizão, Eralp seria, segundo a Euronews, a primeira pessoa com histórico de imigração a ocupar a prefeitura-governo de Berlim.

Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental: AfD em primeiro, por dois pontos

No estado do nordeste, a projeção das 19h27 deu 37,9% à AfD e 35,9% ao SPD — diferença de dois pontos percentuais. Atrás vieram a Die Linke, com 6,5%, os Verdes, com 5,4%, a CDU, com 5,2%, e a BSW, com 4,9%.

A comparação com 2021 mede o deslocamento: naquele ano o SPD fez 39,6% e a AfD, 16,7%. O partido de extrema direita mais que dobrou a votação no estado. A CDU, que tinha 13,3%, ficou perto do piso de 5% necessário para entrar no parlamento estadual.

Ficar em primeiro não é o mesmo que governar. Os demais partidos alemães mantêm o chamado "cordão sanitário", a recusa formal de coalizão com a AfD, e Schwesig afirmou que pretende seguir como primeira-ministra do estado. O candidato da AfD, Leif-Erik Holm, disse esperar governar "se possível".

O recado para Berlim federal

O resultado mais duro para o governo federal é o da CDU, partido do chanceler Friedrich Merz: perdeu oito pontos na capital e ficou reduzida a pouco mais de 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Merz classificou o desempenho como "um desastre" e disse que a legenda foi triturada entre a AfD e o SPD.

Os dois pleitos são estaduais e não mudam a composição do Bundestag. Mas eleições estaduais alemãs funcionam como termômetro da coalizão federal — e nesta noite o termômetro mostrou eleitorado se afastando do centro nas duas direções.

Com informações da ZDF, da Euronews e do Al Jazeera.