As empresas já colocaram US$ 737,3 milhões nas eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos — 60% mais do que gastaram em todo o ciclo presidencial de 2024, quando o valor foi de US$ 461 milhões. A conta está em relatório publicado em 29 de outubro pelo Public Citizen, organização de fiscalização sediada em Washington, e cobre as declarações entregues até 23 de outubro.
É o maior total corporativo que a entidade já registrou em uma eleição americana, e foi alcançado em um ano de meio de mandato, que historicamente atrai menos dinheiro do que um ano presidencial. Em relação às eleições de meio de mandato de 2022, quando as empresas gastaram US$ 184,1 milhões, o ciclo atual é quatro vezes maior.
40% do dinheiro pós-Citizens United em um único ciclo
O Public Citizen estima em cerca de US$ 1,8 bilhão o total gasto por empresas em eleições federais desde a decisão Citizens United, tomada pela Suprema Corte americana em 2010. Mais de 40% dessa soma saiu neste único ciclo — um retrato menos do que a decisão permitiu e mais do tempo que as empresas levaram para usá-la em escala.
Três setores respondem por metade
Empresas de criptomoedas somam US$ 233 milhões; apostas online, US$ 85,2 milhões; e big techs, inteligência artificial e data centers, US$ 73,1 milhões. Juntos, os três setores respondem por US$ 391,3 milhões, ou 53% de todo o gasto corporativo do ciclo.
As empresas de combustíveis fósseis, puxadas por Energy Transfer e Chevron, somam US$ 51,4 milhões. As de tabaco, puxadas por British American Tobacco e Altria, somam US$ 34,8 milhões.
O dinheiro corre sobretudo por um pequeno número de super PACs — os comitês de arrecadação ilimitada — ligados a um setor só. A Fairshake, do setor de cripto, recebeu US$ 106,9 milhões; a Win for America, bancada por apostas online, US$ 80,7 milhões; e a Leading the Future, financiada por interesses de IA e tecnologia, US$ 50,1 milhões — US$ 237,7 milhões entre as três. O maior receptor individual de dinheiro corporativo foi a MAGA Inc., com US$ 141 milhões.
A lista de doadores é curta
Quinze empresas forneceram US$ 473,9 milhões, ou 64% de todo o total corporativo. A gestora de capital de risco Andreessen Horowitz lidera, com US$ 76,2 milhões, seguida pela Geosor Corporation — que o Public Citizen identifica como uma empresa da família Soros — com US$ 52 milhões, e pela Ripple Labs, com US$ 49,6 milhões.
Mais abaixo na lista: DraftKings, com US$ 39,9 milhões; a Foris Dax, da Crypto.com, com US$ 39 milhões; Coinbase, com US$ 37,2 milhões; Koch Inc., com US$ 36,8 milhões; Gemini e Winklevoss Capital Fund, com US$ 35,7 milhões; FanDuel, com US$ 29 milhões; os braços americanos da British American Tobacco, com US$ 17,9 milhões; Energy Transfer, com US$ 15,9 milhões; Altria, com US$ 15,6 milhões; Cantor Fitzgerald, com US$ 10 milhões; o Elon Musk Revocable Trust, com US$ 10 milhões; e Chevron, com US$ 9 milhões.
Três dos quatro maiores doadores são do setor de cripto ou ligados a ele, e o relatório atribui a maior parte do aumento do ciclo às empresas de tecnologia. A concentração é o que distingue 2026 dos ciclos anteriores: um total recorde formado por uma lista de doadores curta o bastante para ser publicada por inteiro.
O relatório foi compilado pelo pesquisador Rick Claypool, do Public Citizen. Os valores vêm das declarações disponíveis até 23 de outubro e devem subir com as últimas prestações de contas antes da votação, em 3 de novembro.
Com informações do Public Citizen e do Common Dreams.




