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Política

Tribunal de paz da Colômbia acusa Pablo Catatumbo e outros oito ex-chefes das Farc por 468 fatos em Tolima, Huila e Quindío

A Sala de Reconhecimento da Verdade atribuiu crimes de guerra e crimes contra a humanidade ao antigo Comando Conjunto Central, que fez 94 incursões armadas entre 1991 e 2016, e deu aos acusados 20 dias úteis para responder.

Por Redação RecortNews
Pablo Catatumbo Torres Victoria, em foto de arquivo de sua passagem pelo Senado colombiano pelo partido criado a partir das Farc.
Pablo Catatumbo Torres Victoria, em foto de arquivo de sua passagem pelo Senado colombiano pelo partido criado a partir das Farc.Foto: Karsami12/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Jurisdicción Especial para la Paz (JEP, o tribunal de justiça de transição da Colômbia) acusou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, nove ex-integrantes do antigo Comando Conjunto Central (CCC) das Farc-EP de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O CCC foi a estrutura guerrilheira que atuou nos departamentos de Tolima, Huila e Quindío. Entre os acusados está Pablo Catatumbo Torres Victoria, que chegou ao Congresso pelo partido Comunes depois do acordo de paz de 2016.

A decisão saiu da Sala de Reconocimiento de Verdad (Sala de Reconhecimento da Verdade) do tribunal e recai sobre 468 fatos. Segundo a JEP, cerca de 70% correspondem a um padrão de controle social e territorial sobre a população, e os 30% restantes, à conduta das hostilidades.

Trata-se do Caso 10, o macrocaso que reúne os crimes não anistiáveis da antiga guerrilha que não foram cobertos pelos outros processos do tribunal. A magistrada relatora, Marcela Giraldo, afirmou que é a primeira vez que os acusados têm de responder pelas vitimizações em massa investigadas neste caso.

Quem são os nove acusados

Além de Catatumbo, a Sala acusou Luis Eduardo Rayo, Henoc Capera Trujillo, Jhon Jairo Oliveros Grisales, Gustavo Bocanegra Ortegón, Nelson Antonio Jiménez Gantiva, Wilson Ramírez Guzmán, Víctor Hugo Silva Soto e Raúl Agudelo Medina. Todos pertenceram ao CCC.

O partido Comunes, pelo qual Catatumbo exerceu o mandato, perdeu este ano o registro legal por não alcançar a votação necessária nas eleições legislativas.

Roncesvalles e Puerto Saldaña

O CCC foi a estrutura das Farc-EP com mais tomadas de cidades e ataques a delegacias no país: 94 incursões armadas entre 1991 e 2016, segundo o processo.

Dois episódios concentram boa parte da acusação:

  • Roncesvalles (Tolima), 14 de julho de 2000. A tomada deixou 13 policiais assassinados depois de terem se rendido, além da morte da defensora pública do município, Ángela Yesenia Briñez Ballesteros. Mais de 30 edificações foram destruídas e cerca de 800 pessoas ficaram desalojadas.
  • Puerto Saldaña (Tolima), entre abril e maio de 2000. A ofensiva deixou ao menos 27 civis mortos, cerca de 200 moradias afetadas e mais de 3.600 pessoas deslocadas.

A Sala atribuiu homicídio, deslocamento forçado, tortura, ataques contra a população civil, a ordem de não dar quartel e o uso de minas antipessoal como crimes de guerra; e assassinato, transferência forçada, desaparecimento forçado, tortura e perseguição como crimes contra a humanidade. Esses delitos não admitem perdão judicial.

A acusação foi construída sobre cerca de 600 processos da justiça comum, 54 relatórios de vítimas e organizações sociais e os relatos de 967 vítimas individuais credenciadas, das quais 54% são camponeses.

O que acontece agora

Os nove acusados têm 20 dias úteis a partir da notificação para responder pelos fatos e pelas condutas que lhes são atribuídos, e 30 dias úteis para apresentar observações e informações adicionais.

No mesmo prazo, devem entregar à JEP e à Unidad de Búsqueda de Personas dadas por Desaparecidas (unidade de busca de pessoas desaparecidas) os dados que ajudem a localizar 30 pessoas desaparecidas ligadas a esses fatos.

Se reconhecerem responsabilidade, o tribunal convocará uma audiência pública com participação das vítimas e depois imporá sanções restaurativas, que não incluem cadeia, mas sim restrições efetivas de direitos e liberdades. Se negarem, vão a julgamento e, em caso de condenação, podem pegar penas de até 20 anos de prisão.

O presidente que deixa a JEP, Alejandro Ramelli, descreveu a acusação como "um passo enorme no esclarecimento da verdade judicial e da justiça", e lembrou que só cerca de 10% dos casos desse tipo havia chegado antes a uma sentença.

Com informações de El Tiempo, ABC Color e Diario Libre.